COMISSÃO TÉCNICA DE
Bovinocultura de Leite

RELATÓRIO DA VI REUNIÃO DA COMISSÃO PARITÁRIA SINDILEITE/ FAEP

DATA: 29/05/2002
LOCAL: AUDITÓRIO FAEP/SENAR

PARTICIPAÇÃO:

Representantes do SINDILEITE

Representantes da Comissão Técnica da FAEP

Wilson Thiesen

Ronei Volpi

-Fortunato Bérgamo(Líder)

Aryzone M. de Araujo

-Marco Antonio Galassini Silva (Leite Pic Nic)

Louis Baudraz

-Dick Carlos de Geus (Batávia)

José Manoel L.C. de Mendonça

-Renato José Beleze (Confepar)

Nelci J.P.Mainardes

-José Otaviano ºRibeiro (Confepar)

Romeu Hepp

Valter Vanzella (FRIMESA)

Álvaro Luiz Correia

-Elias José Zydek (SUDCOOP)

Alexandre Piero S.Silva

Deputados estaduais: Orlando Pessutti, César Silvestri e Eli Ghellerre

Representante do deputado federal Padre Roque: Dejair J.Padilha

Professores da UFPR: José Roberto Canziani e Vania Di Addario Guimarães

Técnicos da SEAB/DERAL: Richardson de Souza, Guilherme Oscar Richter e Osmar Buzinhani

Assessores da Assembléia Legislativa – CPI dos Alimentos: Maria Regina Subtil, Everlei Terezinha Cleto, Airton Vivian e Carlos Eduardo Carazzai

Representando a diretoria da FAEP: João Luiz Biscaia

 

I. ABERTURA:

Abrindo a reunião, o diretor financeiro da FAEP, João Luiz Biscaia, parabenizou a iniciativa dos setores produtivo e industrial leiteiro em promover a aproximação "através de reuniões como esta, que comprova a parceria existente no Paraná, responsável pela união de todos os setores envolvidos com determinada atividade, compromissados com a busca constante de soluções para os problemas que afetam o desenvolvimento do Paraná e não apenas suas instituições.. Assim foi com a questão da febre aftosa, hoje banida do Estado, e pela demonstração de coesão ocorrida aqui hoje, temos a certeza que os graves problemas que afligem o setor leiteiro têm sido devidamente tratados e que as propostas de solução que se apresentarem serão apoiadas por esta Federação em todas as esferas dos poderes público ou privado".

O deputado César Silvestri, relator da CPI dos Alimentos – etapa leite, em palavras endossadas a seguir por Orlando Pessitti e Eli Ghelere, afirmou que a CPI mantém a firme decisão de ir até as últimas conseqüências na identificação das distorções que se verificam na cadeia do leite, não obstante as pressões que vem sendo exercidas por alguns representantes do setor varejista.

Demonstrou confiança na capacidade da Comissão Paritária avançar numa metodologia para a fixação de um preço-referência antecipado ao setor produtivo, afirmando que "os relatores das CPIs dos demais estados estão a espera de uma solução proposta pelo Paraná para seguirem o mesmo modelo".

O presidente da Comissão Técnica, Ronei Volpi se manifestou satisfeito com a representatividade verificada, afirmando que "seguramente, nesta mesa encontram-se reunidos os responsáveis por 80% do leite processado pelas indústrias paranaenses e igualmente 80% do volume produzido no Estado e que a maior complexidade para a formatação de um modelo de pré-fixação de preços já foi vencida : é a vontade de fazer.

Isto atenderá as indústrias nas suas necessidades de tranqüilidade quanto ao abastecimento e qualidade e aos produtores nas suas necessidades de planejamento.

II. SEGUINDO A PAUTA

II.1 - Apresentação do ensaio elaborado pela SEAB/DERAL para estabelecer a metodologia de fixação de preços ao produtor.

O trabalho apresentado enfocou os seguintes aspectos:

1-levantamento dos preços do leite UHT, leite pasteurizado, queijos e iogurtes, praticados ao produtor, no atacado e no varejo.

A partir desses dados definem-se as médias ponderadas de preços para esses produtos.

2- Determinação dos custos de produção de leite nos diferentes sistemas de produção.

3- Determinação das margens nos diferentes setores.

4- A análise e interpretação desses dados permite que se estabeleça um preço-referência que permita melhor distribuição de renda nos setores primário e industrial.

II.2 - Apresentação da metodologia desenvolvida pela Universidade Federal do Paraná para estabelecimento do preço de referência para cana-de-açúcar.

Buscando identificar as semelhanças que possam ocorrer entre os sistemas de pagamento para o leite e a cana-de-açúcar, foi solicitado aos prfessores da UFPR que fizessem a apresentação da metodologia por eles desenvolvida para o CONSECANA PARANÁ.

Em 1º de fevereiro de 1999, com a saída do Governo Federal da fixação do preço da cana, o setor produtivo paranaense ficou numa situação de desamparo, uma vez que não estava preparado para discutir com o setor industrial os parâmetros para fixação dos preços da matéria prima.

Foi criado então o CONSECANA PARANÁ, conselho composto pelo Sindicato da Indústria de Fabricação de Álcool do Estado do Paraná- ALCOPAR; Sindicato da Indústria do Açúcar no Estado do Paraná- SIAPAR; Federação da Agricultura do Estado do Paraná-FAEP, com a colaboração da UFPR, ALCOPAR e Comissão Técnica de Cana-de-Açúcar da FAEP, cujo principal objetivo é oferecer subsídios aos produtores de cana-de-açúcar, açúcar e álcool do Paraná, para a formação dos preços da cana-de-açúcar em regime de livre mercado.

Para tanto foi definida uma metodologia que considera:

  • A qualidade da cana de açúcar, que é a concentração total de açúcares em determinada quantidade de matéria prima, recuperáveis no processo industrial: Açúcar Total Recuperável –ATR
  • A cana que apresenta ATR de 121,9676 kg/t é chamada cana-básica.

O CONSECANA –PR divulga até o 3º dia útil de cada mês:

  1. O valor da ATR do mês anterior, apurado com base na média dos preços e no mix de produção efetivamente praticado no referido mês.
  2. O valor do ATR médio acumulado até o mês anterior, inclusive.
  3. O valor da tonelada de cana basica projetada para o ano-safra, posta na esteira da indústria e sua referência do preço campo.

Tal processo (metodologia disponível no Manual de instruções do CONSECANA PARANÁ), permite remunerar a matéria prima com base nos preços de açúcar e derivados praticados no mercado.

A UFPR coleta mensalmente junto às 26 indústrias paranaenses do setor os seguintes dados: preço, volume, comprador, condições de pagamento de todo negócio efetuado. Repassados ao CONSECANA, esses dados servem para que seja calculado o preço médio de mercado para cada produto naquele mês.

Cruzando-se os dados com a participação da matéria prima em cada produto final, chega-se ao valor de referência que então é adaptado às diferentes realidades das empresas/produtores.

III. DISCUSSÃO E DELIBERAÇÃO SOBRE O ASSUNTO PELA COMISSÃO PARITÁRIA.

A transparência do processo e a imparcialidade da UFPR foi o aspecto que fez a comissão paritária decidir-se por solicitar à presidência da FAEP e à presidência do SINDILEITE que autorize os professores a desenvolverem a adaptação da metodologia CONSECANA para o setor leiteiro.

Tanto produtores quanto indústrias se mostram interessados no processo e houve a manifestação de um representante do setor industrial, afirmando que "a indústria precisa abrir sua caixa preta e juntamente com os produtores brigar contra um inimigo comum".

Wilson Thisen afirmou que nesse momento não deve haver a preocupação de querermos a adesão de todas as indústrias, já que a adesão das 8 indústrias representadas nessa Comissão fatalmente provocará, com o tempo, a adesão das demais.

Outro representante da indústria afirmou que o mercado de leite é complicado de se fazer previsões, a falta de confiança não é só entre produtor e indústria, ocorre também entre indústrias, mas estamos evoluindo satisfatoriamente e acredita ser possível, após os dados levantados pela UFPR, analisar os preços praticados e os volumes comercializados nos primeiros 10 dias do mês, para então divulgar aos produtores a tendência do mercado.

IV. ASSUNTOS GERAIS:

Tendência de preços para o mês de junho: na opinião do setor industrial tudo indica que a tendência atual é de estabilidade, se houver queda será para o produto spot. Acreditam que nesse ano não vigoram as condições que provocaram a crise, como o apagão.

Na última semana ocorreu uma reação de R$0,01 a R$0,02 por litro de leite longa vida, em função da queda da temperatura.

Em média os produtos apresentaram o seguinte comportamento de abril a maio:

Longa vida - preços em queda

Leite em pó – preços estáveis

Queijo – preços em alta.

O setor produtivo informou não suportar uma queda de preços no trimestre junho-julho-agosto," ou produtores e indústrias se fortalecem juntos ou se acabam juntos".

Wilson Thisen informou que havia solicitado ao DERAL que estudasse procedimentos para estabelecer um preço mínimo de referência nacional, que se converteria numa pré-proposta a ser apresentada na CPI nacional.

A adoção de um preço mínimo nacional resguardaria nosso mercado, já que quando há excedente as empresas não "queimam" suas praças, todo o excesso é vendido a baixo preço em outros estados.

Há intenção de apresentarmos em conjunto: FAEP/OCEPAR/SINDILEITE, uma proposta de política nacional ao Ministro da Agricultura.

V. PROVIDÊNCIAS SOLICITADAS:

Apresentação da proposta de convênio UFPR/FAEP/SINDILEITE para apreciação da diretoria da FAEP

Se aprovada a proposta, Ronei Volpi e Wilson Thisen deverão agilizar a assinatura do convênio

VI. PRÓXIMA REUNIÃO A SER DEFINIDA EM FUNÇÃO DO ANDAMENTO DO POSSÍVEL CONVÊNIO.


Maria Sílvia C. Digiovani
Engenheira Agrônoma

   
 

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