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COMISSÃO TÉCNICA DE
Bovinocultura de Leite
2005: O ano da
reviravolta para o leite
O ano de 2005
começou com boas perspectivas, ensaiando um cenário que
dificilmente se reverteria. Mas não foi o que aconteceu. Confira o
balanço do setor leiteiro no ano passado e o que se projeta para
2006
Maurício Palma
Nogueira
Tudo teve início
após o inédito superávit na balança comercial de lácteos, que
foi de US$11,4 milhões em 2004. Os estoques estavam reduzidos,
diversas indústrias começaram o tão esperado pagamento pelo leite
de qualidade; o produtor voltava a rever a viabilidade de
aplicação de tecnologia na produção de leite; empresas de sêmen
anunciaram a retomada das vendas de raças bovinas especializadas;
enfim, 2005 prometia.
A pecuária
leiteira vinha de dois anos de resultados favoráveis: 2003 e 2004,
e, provavelmente, engataria o terceiro ano de bons resultados. Os
últimos anos vinham sendo positivos pela combinação de preços
melhores, mais firmes, e pela redução nos preços dos
concentrados, como reflexo da própria crise da agricultura, que se
intensificou em 2004.
Em 2004, os preços
nominais dos concentrados foram, em média, 4,98% inferiores aos
preços médios de 2003. Em 2005, os preços se reduziram ainda
mais. Em média, os valores dos concentrados recuaram outros 6,6% em
relação a 2004. Observe, na Figura 1, o comportamento dos preços
nominais do leite e de quatro dos concentrados mais usados pelos
produtores de leite: farelo de soja, milho em grãos, farelo de
algodão e polpa cítrica peletizada.
A redução nos
preços dos alimentos concentrados foi mais drástica para os
protéicos. No caso dos energéticos, as reduções não ocorreram
pelo fato de que os preços já vinham baixos de anos anteriores.
Mesmo assim, tratava-se de uma situação favorável aos produtores
de leite, dada a importância do fornecimento de energia para vacas
em lactação.
No período
destacado entre junho de 2004 e junho de 2005, os preços do farelo
de soja, farelo de algodão e milho foram, respectivamente, 25,6%,
32,6% e 5,4% mais baixos em valores nominais. Apenas a polpa
cítrica e outros energéticos tiveram preços mais elevados em
2005, quando comparados aos de 2003. Mesmo assim, vale lembrar, os
preços dos energéticos já estavam baixos.
Queda no preço dos
concentrados - No mesmo período, os preços do leite de 2005
estavam cerca de 1,2% mais altos que em 2004. No entanto,
relembrando o período que antecedeu a junho de 2004, o valor do
leite havia aumentado 31% desde janeiro, ou seja, em apenas seis
meses.
Depois desta alta,
o produtor viu a queda nos preços dos concentrados protéicos e,
praticamente, a manutenção dos preços dos concentrados
energéticos, situação que se manteve até junho e julho de 2005.
Tudo parecia favorável ao produtor de leite.

Cenário
favorável, boas perspectivas e a já conhecida capacidade do
produtor de leite em responder rapidamente a estímulos favoráveis
do mercado foram ingredientes suficientes para o inevitável aumento
na produção leiteira.
O produtor de leite
forneceu mais alimentos concentrados . Houve relatos de fábricas de
ração com dificuldade em atender às demandas regionais de
rações para vacas de leite. Num ano em que pecuária de corte,
suinocultura e avicultura estavam em crise, sinalizando redução de
demanda, o produtor de leite se manteve comprador de alimentos
concentrados. Era de se esperar a confirmação do aumento na
produção leiteira.
E assim foi.
Segundo o acompanhamento do mercado, feito pelo IBGE-Instituto
Brasileiro de Geografia e Estatística, a captação de leite no
País, de janeiro a setembro de 2005, foi 13,77% superior ao mesmo
período de 2004; um volume com 1,439 bilhão a mais, apenas nos
nove primeiros meses.

Queda no preço dos
concentrados favoreceu produtores
Somente a
captação de Minas Gerais aumentou 441,2 milhões de litros de
leite no período de janeiro a setembro de 2005, quando comparada à
do ano anterior. Tal diferença equivale a 75% da produção de
Rondônia. Em outras palavras, se Minas Gerais manteve o ritmo de
aumento da captação nos meses de outubro, novembro e dezembro de
2005, apenas os mineiros terão aumentado a oferta em volume
superior à produção total de Rondônia. Ou seja, 'uma Rondônia'
a mais só em Minas Gerais!
Ressalta-se que,
até setembro, a captação de 2005 manteve o mesmo ritmo de aumento
mensal em relação ao ano anterior. Esperava-se que houvesse uma
redução neste ritmo, com a queda nos preços, mas não ocorreu. Os
meses em que se registrou os maiores aumentos na produção em
relação a 2004 foram abril, maio e junho, meses já com déficit
de pastagens de qualidade.
Sendo assim, a
produção de leite, que, em 2004 já aumentou cerca de 5,5% em
relação à de 2003, deve registrar aumento ainda superior em 2005.
É muito leite, a mais, recebido formalmente pela indústria. Mesmo
que se diga que nem todo este volume se trata de aumento de
produção, mas, em parte, pela migração do mercado informal para
o formal, os efeitos negativos sobre os preços do leite seriam
suficientemente drásticos.

Produção
industrial absorveu oferta de leite informal em 2006
Recuo desde o meio
do ano - O ano que começou com otimismo e boas perspectivas
registrou uma reviravolta desfavorável ao produtor de leite. O
mercado, evidentemente, não foi suficiente para absorver o aumento
da produção. Houve formação de estoques e queda nos preços. Com
isso, os preços recuaram antecipadamente. Na média nacional, foi a
primeira vez nos últimos 10 anos que os preços recuaram no
pagamento de julho, produção de junho. E a partir daquele mês,
meados de 2005, os preços não pararam de cair até o final do ano.
Na média, os
preços do final do ano foram 14,3% inferiores ao valor médio do
ano. Em relação ao valor mais alto, produção de maio, os preços
do final do ano ficaram 21,9% mais baixos. Na Tabela 1, estão as
comparações entre os preços do leite do final do ano, os valores
médios e os valores mais altos para os maiores Estados em
produção leiteira. Também estão comparados o mercado spot e o
longa vida, no atacado.
O mercado spot é o
de leite comercializado entre as indústrias. Geralmente, são
cooperativas ou pequenas indústrias nacionais vendendo para
indústrias de maior porte, ou melhor posicionadas no mercado. Pela
Tabela 1, se pode perceber que a maior variação negativa ocorreu
para o mercado spot, comércio para o qual cerca de 30% do volume de
leite captado pelas cooperativas é direcionado. Ao final do ano, os
preços spot eram cotados a R$0,40/litro, em valor bruto.

Este preço do
mercado spot evidencia a dificuldade das cooperativas em manter
preços aos seus cooperados. Sofreram as piores quedas nos preços,
o que inviabiliza que as mesmas possam competir na captação com
outras indústrias, as mesmas que compram no mercado spot. É uma
situação difícil. Como a maior participação de cooperativas na
captação do leite ocorre no Sul do País, e com a dificuldade de
colocação do leite no mercado spot, os preços foram mais afetados
em determinadas áreas dessas regiões.
Em Santa Catarina,
por exemplo, cerca de 70% do leite das cooperativas é vendido no
mercado spot, um dos fatores que justifica os preços extremamente
baixos aos produtores daquele Estado. No Paraná, contribui também
para a crise as suspeitas de febre aftosa, ocorridas na primeira
dezena de outubro. Por vários dias, o produtor paranaense não teve
para onde escoar a sua produção. Houve casos, inclusive, de
produtores que tiveram que jogar o leite fora, de volta às
pastagens. Essa atitude foi erroneamente tomada como protesto, mas
não se tratou de um ato de protesto. O produtor, realmente, não
tinha o que fazer com o leite.
Vale lembrar
também que Rio Grande do Sul, Paraná, Santa Catarina, Goiás,
Minas Gerais e Rondônia são exportadores de leite para o Estado de
São Paulo. São Paulo produz apenas cerca de 7,4% da produção
brasileira e consome cerca de 32,4%. Para "ajudar" ainda
mais os produtores da região Sul do País, é essa área que sofre
os primeiros impactos negativos das importações de leite da
Argentina.
Mais difícil
exportar do que importar - As importações, por sua vez, tiveram
sua importância superestimada no ano. Em 2005, considerando o valor
do dólar comercial para venda, a cotação média da moeda
americana ficou 16,5% abaixo da média observada em 2004. Ao final
do ano, o dólar era cotado a valores cerca de 20% abaixo da média
de 2004. Ficou mais difícil exportar e mais fácil importar.
Sendo assim, em
2005, as importações de produtos lácteos aumentaram, no período
de janeiro a novembro, quando comparado ao mesmo período de 2004.
Em equivalente-litros de leite, ou seja, transformando todos os
itens importados em volume de leite envolvidos para produzi-los, o
Brasil importou 21,4% a mais no ano. Em volume, este aumento
representa 57,5 milhões de litros de leite.
No meio do ano, com
base neste aumento das importações, quase que o governo, orientado
pelo Ministério do Desenvolvimento Agrário, fez uma
"lambança", proibindo as importações de leite com base
nos baixos preços recebidos no mercado interno. Não fosse a
agilidade da CNA-Confederação da Agricultura e Pecuária do
Brasil, da Câmara Setorial do Leite e do próprio Ministério da
Agricultura, Pecuária e Abastecimento, tal medida equivocada
poderia ser péssima para todo o agronegócio. Afinal, que moral o
Brasil teria para solicitar redução de subsídios agrícolas?
Mesmo para o leite,
essa proibição seria negativa, basicamente, por duas razões.
Primeiro, as importações, embora aumentando, não foram
suficientes para reduzir os preços. O volume de 57,5 milhões de
litros de leite importado a mais no período de janeiro a novembro
representa menos de 4% do aumento da captação formal no Brasil,
registrada no período de janeiro a setembro. Mesmo considerando
toda a importação de leite, o volume foi de 326 milhões de litros
de janeiro a novembro. Até setembro, a captação brasileira
aumentou 1,439 bilhão de litros de leite, conforme comentado
anteriormente. Sendo assim, quem ofertou leite o suficiente para
derrubar o mercado foi o próprio produtor brasileiro, e não o
estrangeiro; muito menos o argentino.
Em segundo, caso
fossem criadas dificuldades para o mercado externo, o Brasil sairia
prejudicado pela própria exportação. Até novembro, o Brasil
exportou mais de 552 milhões de litros, registrando saldo positivo
de 226 milhões de equivalente-litros de leite. Em dólares, o
superávit da balança comercial de lácteos já era de US$990 mil
em novembro. Os resultados somente não foram melhores pela greve
dos fiscais agropecuários, que durou praticamente todo o mês de
novembro. Novamente, o Brasil será superavitário na balança
comercial.
Houve muito
equívoco em relação ao mercado externo, este ano. Sem dúvida
alguma, o preço do leite é dependente dos preços internacionais,
portanto, o mercado de leite será sensível à cotação do dólar.
No entanto, em 2005, não foi a baixa cotação do dólar que
derrubou os preços do leite, foi a produção interna.
Evidentemente, se o câmbio fosse mais alto, é provável que o
Brasil tivesse exportado mais e com uma remuneração melhor para as
indústrias e, conseqüentemente, haveria menor formação de
estoques.
Mas mesmo que o
Brasil dobrasse as exportações, ainda assim, seriam apenas 1
bilhão de litros de leite, que representariam cerca de 4% da
produção interna. Quanto poderia haver de acréscimo nos preços
do mercado interno, considerando o quanto o Brasil produziu a mais?
Tal raciocínio não deve ser tomado como pessimista, mas, sim, como
realista.
Maurício Palma
Nogueira é engenheiro agrônomo, diretor da Scot Consultoria,
coordenador da divisão de gestão empresarial da Scot Consultoria.
Avanços do setor
Na análise
realizada pela CNA-Confederação da Agricultura e Pecuária do
Brasil e divulgada por meio do seu balanço no mês de dezembro,
fica claro também que a pecuária de leite ingressou em 2005
apostando que seria um ano com resultados positivos para o setor.
"Os bons presságios duraram apenas até o final do primeiro
semestre, quando os preços pagos pelo leite, ao pecuarista,
seguiram em queda", informa Rodrigo Alvim, presidente da
Comissão de Pecuária Leiteira da entidade.
Frente às
perspectivas positivas, o pecuarista de leite investiu na sua
produção. Dessa forma, a oferta de leite sob inspeção, no
primeiro semestre, chegou a 7,8 bilhões de litros, 13,3% a mais que
o volume produzido no primeiro semestre de 2004. Houve situações,
inclusive, de migração da atividade agrícola para a pecuária de
leite, devido ao bom momento que o segmento estava apresentando. No
total do ano, a produção de leite total deve atingir a marca de 25
bilhões de litros, frente aos 23,5 bilhões de litros, no ano
retrasado.
Com tal volume,
parece definitivo que o Brasil deixe para o passado o histórico de
ser um tradicional importador de lácteos. A balança comercial de
lácteos fechou o ano com um superávit de US$8 milhões. "É
um fato positivo, principalmente considerando as variações do
mercado. O que preocupa, agora, é que a manutenção do superávit
esteja sendo promovida por meio da redução dos preços pagos ao
produtor. Caso seja mantida essa tendência, é certo haver
desestímulo no setor, que se verá obrigado a reduzir oferta para
buscar um ajuste de preços", cita Alvim.
Mas a manutenção
do superávit na balança comercial de lácteos se deve também à
manutenção das tarifas para combater o dumping nas importações
de lácteos da Argentina e do Uruguai. Dessa forma, se evitou que,
durante os próximos três anos, ingressem no Brasil lácteos
negociados a preços artificiais, prejudicando a competitividade e a
capacidade de investimento do produtor de leite brasileiro. Segundo
o dirigente, a meta, em médio prazo, é transformar o Mercosul em
um pólo regional de produção de lácteos, visando ao mercado
internacional, e não mais promovendo disputas comerciais
intrabloco.
Projetando
estratégias - A CNA articulou também com os demais integrantes da
Aliança Láctea Global o fim de subsídios à exportação e das
medidas de apoio interno por países ricos. Tal medida evitaria o
excesso de oferta de lácteos negociados a preços artificiais no
mercado mundial.
No cenário
interno, a entidade defendeu e conquistou regulamentação mais
rígida quanto à comercialização das bebidas lácteas, produzidas
com alta concentração de soro de leite. Outra vitória foi a
garantia de isenção de cobrança de PIS e Cofins da maior parte
dos lácteos comercializados no País, desonerando o produtor e
garantindo produtos mais baratos.
Rodrigo Alvim
considera que há alternativas para ampliar o consumo de lácteos,
de forma a compensar o aumento da oferta e, paralelamente, promover
uma recuperação dos preços pagos ao produtor. "As
estratégias devem abordar dois focos: o mercado interno, por meio
de programas de promoção ao aumento do consumo; e o mercado
externo, mesmo considerando a hipótese de manutenção da
sobrevalorização do real, por meio da ampliação das
exportações", cita.
No mercado interno,
é patente que o Brasil não está aproveitando a totalidade do seu
potencial de produção de lácteos, conforme comprova o cruzamento
dos dados de evolução nacional da produção de leite e do atual
consumo per capita, que está abaixo dos números indicados pela
Guia Alimentar Brasileiro. A recomendação é de que o consumo por
habitante seja de, no mínimo, 200 litros de leite por ano. Em 2004,
no entanto, o consumo per capita no Brasil foi de 130 litros,
praticamente o mesmo nível de 10 anos atrás, o que, segundo os
pesquisadores, são será alterado se houver recuperação de renda.
Outro desafio será
implementar definitivamente os preceitos da Instrução Normativa
n° 51, que passou a vigorar, na região Centro-Oeste, a partir de
1° de julho de 2005, mas durante todo o segundo semestre viveu um
período de adaptação. Para melhor balizar a real relação entre
o custo de produção e a venda do leite, é necessário também
reajustar o preço mínimo do produto, que há dois anos é de R$
0,38 por litro. Uma indicação oficial de reajuste do preço
mínimo para financiamentos de EGF (Empréstimo do Governo Federal)
do leite ajudaria a recuperar a renda do setor, permitindo novos
investimentos. "Seria necessário que o preço mínimo de
garantia fosse, pelo menos, de R$0,42 por litro", calcula
Alvim.
2006: como será
É fato que a
importância do mercado internacional para os produtos lácteos
será crescente a partir de agora. Não só crescente, será vital.
O setor demorou muito para se organizar. Agora, tudo acontecerá 'na
marra', pois existe excedente de produção. Deve-se trabalhar o
marketing para consumo interno, abertura e fortalecimento de
mercados externos. Nem é preciso discorrer sobre a importância da
qualidade da matéria-prima, assunto que foi um dos mais discutidos
ao longo de 2005.
O setor fecha o ano
com o péssimo preço médio de R$0,50 a R$0,51/litro, próximo do
pior preço da história, registrado em 2001, quando se corrigiu a
inflação pelo IGP-DI. Na Figura 2, estão os preços médios
anuais corrigidos pelo IGP-DI desde o ano de 1998, quando a Scot
Consultoria iniciou o acompanhamento do mercado de leite. A
situação apenas não é a mesma de 2001 pelo fato de o mercado de
concentrados ter sido, relativamente, mais favorável em 2005. É a
crise da agricultura.

Para 2006, as
dificuldades, infelizmente, devem permanecer. É um ano eleitoral,
em que diversas variáveis atuarão na economia, influenciando as
leis de mercado. Vale lembrar que o mercado é cíclico. Embora seja
provável que a produção não recue, num futuro bem próximo, a
situação se reverterá em favor de preços mais altos, ou seja, a
demanda tende a pressionar. Sempre é assim. O difícil é saber
quando e quanto o mercado reagirá, mas é certo que reagirá.
Por fim, num
ambiente tão adverso quanto o do final de 2005, fica uma certeza.
Assim como o agronegócio brasileiro é uma atividade de excelentes
perspectivas, a pecuária leiteira também entra neste
"balaio" de sucesso. Estudo coordenado pelo PENSA/FEA/USP,
que contou com o auxílio de diversas organizações, dentre as
quais, a Scot Consultoria, concluiu que o agronegócio lácteo girou
cerca de R$65 bilhões em 2004.
Sem dúvida alguma,
o leite é uma das cadeias agroindustriais de maior importância em
todo o País. O segundo ano de superávit na balança comercial,
mesmo em meio à crise estabelecida, mostra que a indústria
brasileira precisa urgentemente ser reinventada. É uma questão de
posicionamento.
Fonte: Revista Balde Branco Janeiro
de 2006
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