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COMISSÃO TÉCNICA DE
Grãos / Financiamento da
Produção e PROAGRO
RELATÓRIO
DA REUNIÃO da Comissão Técnica de Grãos e
Financiamento da Produção
e PROAGRO
Data:
25 de julho de 2005
Local: FAEP – Curitiba
PARTICIPANTES:
Alfredo
Miguel Neto - São Paulo
Angelo
Mezzomo - Coronel Vivida
Anton
Gora - Guarapuava
Antônio
Smith - Porto Alegre
Celso
Natel Meister - Curitiba
Edison
Mazei Ponti - Londrina
Elisangeles
B Souza - Curitiba
Emanuelle
Gemin - Curitiba
Enio
Pigosso - Chopinzinho
Eugênio
Bohatch - Curitiba
Eugênio
Stefanello - Curitiba
Felipe
Leite Ribeiro - Cornélio Procópio
Flávio
Turra - Curitiba
Gilda
M. Bozza - Curitiba
Hugo
Caruso - Curitiba
Ivo
Carlos Arnt Filho - Tibagi
Jean
Paulo Pazinato - Sertanópolis
Jefrey
K. Albers - Curitiba
Jorge
Augusto Szczypior - Curitiba
Jorge
Proença - Curitiba
José
Antonio Borghi - Maringá
José
Fernando De Paula - Ortigueira
Lafaete
Jacomel - Curitiba
Livaldo
Gemin - Curitiba
Luiz
Capraro Neto - Palmeira
Marcelo
Vosnika - Curitiba
Marco
Arthur Saldanha Rocha - Marialva
Maria
Silvia Digiovani - Curitiba
Miguel
Honório - Curitiba
Nelson
Natalino Paludo - Toledo
Nelson
Teodoro Oliveira - Campo Mourão
Nemo
Eloy Vidal Neto - Curitiba
Nilson
H. Camargo - Curitiba
Oscar
Pereira De Camargo Filho - Congonhinhas
Otmar
Hubner - Curitiba
Pedro
Augusto Loyola - Curitiba
Renato
Fontana - Umuarama
Renato
Gregório - Palmas
Tadeu
S. Acordi - Chopinzinho
Walmir
Kowalewski De Souza - Curitiba
Pauta:
Relatório
O Sr. Ivo Arnt,
presidente da Comissão de Grãos, abriu a reunião e chamou para
compor a mesa o Sr. Livaldo Gemin, diretor secretário da FAEP, o
Sr. Valmir Kowalewski de Souza, Superintendente da Delegacia do
Ministério da Agricultura no Paraná e o Sr. Otmar Hubner, técnico
do Deral/SEAB. O Sr. Livaldo Gemin, em nome da FAEP, agradeceu a
presença dos membros da comissão e dos convidados presentes.
Plano
safra 2005/2006 e os recursos para o Banco do Brasil para o Paraná
Tratoraço:
análise de resultados efetivos
O economista do
Departamento Técnico Econômico e assessor da Comissão de Grãos,
Pedro Loyola, proferiu uma palestra sobre o Plano Safra 2005/2006,
os resultados do Tratoraço e os recursos do FAT para os produtores
endividados com cooperativas ou empresas de insumos e fertilizantes.
>>Veja
aqui a apresentação
Após a palestra, o
Sr. Miguel Honório, representante da Superintendência do Banco do
Brasil, explicou que os títulos de dívidas entre produtores e
coopertativas ou empresas de insumos poderão ser aceitos na linha
de financiamento conhecida como FAT GIRO RURAL e que será aceito
80% da dívida do produtor para compor a liberação de recursos
para as empresas, sendo emitido um boleto de cobrança para o
produtor com débito na mesma dia data que o pagamento da empresa.
O Sr. Fernando de
Paula, do S.R. de Ortigueira, questionou se a medida de aceitar
apenas 80% da dívida do produtor era uma medida do governo ou
interna do Banco do Brasil e o Sr. Miguel Honório esclareceu que
era uma medida interna.
O Sr. Miguel
Honório explicou ainda sobre os procedimentos do Banco do Brasil
para os casos de prorrogação de custeio. Os produtores com perda
acima de 40% passam por um "procedimento simplificado" e
com perdas menores é analisado "caso a caso". Informou
que o BB neste caso está prorrogando o custeio da seguinte forma:
Da renda obtida com
a colheita se deduz:
a)
20% da renda esperada no caso de produtor ou;
b)
30% da renda esperada no caso de arrendatário.
A diferença é
recolhida na parcela e o valor não coberto é prorrogado em três
parcelas anuais.
O Sr. Fernando de
Paula ponderou que a prorrogação do custeio esta sendo feito
conforme o Manual do Crédito Rural, mas que o produtor que não tem
"reciprocidade" com o banco, exatamente aquele que mais
precisa, está ficando para trás na fila de espera das análises
"caso a caso".
O Sr. Nelson
Paludo, do S.R. de Toledo, perguntou qual seria o procedimento do
Banco do Brasil para os casos de municípios que ainda estariam com
análise de situação de emergência em andamento na Defesa Civil
em Brasília. O Sr. Miguel Honório informou que o banco tomou
algumas medidas paliativas para estes casos para não prejudicar o
produtor. O produtor em atraso no investimento não é inscrito no
SERASA e as análises de prorrogação aguardam a definição do
estado de emergência.
Oscar Pereira de
Camargo Filho, do S.R. de Congoinhas, questionou se as
prorrogações do trigo da safra 2004/2005 estariam impactando no
limite de crédito dos produtores. O Sr. Miguel Honório informou
que até 30 de junho a posição do BB era de que 86% dos recursos
do trigo foram contratados. Na última safra foram contratados R$283
milhões e ficaram prorrogados para os meses de junho, julho e
agosto, via prorrogação do custeio do trigo, um total de R$26
milhões, menos de 10% do total. A instrução interna no Banco era
de que os produtores que prorrogaram o custeio do trigo teriam uma
revisão de seu limite de crédito e haveria até uma concessão
acima do calculado.
O Sr. Flávio
Turra, da OCEPAR, solicitou maiores informações acerca dos
procedimentos e operacionalização para acessar os recursos do FAT
GIRO RURAL. O Sr. Miguel Honório informou que existirá um teto
operacional para cada empresa que será definido pelo limite de
crédito e as garantias solicitadas pelo banco. Será formalizado um
contrato entre o banco e as cooperativas e os recebíveis (títulos
de dívida dos produtores). O produtor negocia os prazos de
pagamento da CPR ou do título diretamente com a cooperativa. A
operação da cooperativa e banco terá seu pagamento na mesma data
do vencimento do título com o produtor, o qual receberá um boleto
bancário.
O Sr. Ivo Arnt
questionou sobre o pré-custeio e o Sr. Miguel Honório informou que
não existe perspectiva alguma de liberação para este ano.
Trigo:
comercialização
Após a
explanação do Sr. Miguel Honório, o Sr. Ivo Arnt passou a palavra
para o Sr. Valmir Kowalewski de Souza, o qual afirmou que a
posição dos estoques no Paraná deveriam ser reduzidos e que o
plano safra 2005/2006 ainda será alvo de alguns debates na esfera
federal, devendo ocorrer uma reunião sobre o assunto no Ministério
da Agricultura, nos dias 02 e 03 de agosto.
A palavra foi
passada para o Sr. Eugênio Stefanello, técnico da CONAB, que
explanou sobre temas macroeconômicos concernentes à agricultura e
se mostrou preocupado com a dicotomia que se estabeleceu entre
agricultura comercial e familiar. Essa dicotomia é maléfica e
totalmente prejudicial para o crescimento do país e é necessário
que as entidades representativas façam um trabalho de
contrapartida, pois está se avolumando uma opinião pública
contrária à agricultura comercial e que até nas universidades
está se colocando essa posição contrária.
Quanto à questão
do trigo relatou que o Brasil conseguiu atingir uma produção que
supre 50% do consumo interno e que mesmo assim temos problema de
comercialização desta cultura. Diante disso, discorreu sobre os
problemas que levaram ao atual quadro: taxa de câmbio baixo devido
ao aumento da taxa de juros com elevada entrada de capital
especulativo. Enquanto nos países desenvolvidos a taxa média ao
ano é 0,7%, nos países em desenvolvimento de 2,5% e no Brasil de
14% ao ano. A entrada de capital especulativo é brutal, não
caracteriza investimento direto e fica no país enquanto os juros
forem remunerativos para os especuladores. Isso força um câmbio
para baixo e favorece a importação.
O Sr. Stefanello
colocou também a questão da pré-mistura no trigo argentino com
intuito de pagar menos impostos, que em vários momentos é
denunciado, mas não se toma medida alguma que solucione o problema.
Como existe uma maior oferta de trigo mundial e um câmbio
desfavorável, mesmo o Brasil produzindo apenas 50% do que necessita
para seu consumo interno, configura-se um quadro de dificuldade de
comercialização. Quanto aos leilões para escoar a produção para
o nordeste, houveram dificuldades no começo, mas agora algumas
operações já foram fechadas.
Na Balança de
Pagamentos do Brasil há constante superávit nas transações
correntes e o mesmo ocorre na balança comercial, sendo que a soja
foi o único produto da pauta de exportações brasileiras que teve
redução de preços internacionais, ainda assim a soja está com
US$6,00/bushel no exterior e no Brasil varia entre US$6,50 e
US$7,00, ou seja, o preço recebido na soja brasileira esta superior
a média mundial. Verifica-se uma tendência nos últimos dois anos
de taxa de câmbio em baixa, superávit nas transações correntes e
na balança comercial e forte entrada de capital especulativo com
juros médios altos e, diante disso, não há perspectiva de
alteração na taxa de câmbio. Caso não ocorra uma acidente
climático, a tendência dos preços internacionais é ir para suas
médias históricas.
Durante pelo menos
dois anos houve uma euforia com a alta de preços de soja e milho
que levou o produtor a fazer investimentos incompatíveis com a
atual realidade e com a volta da normalidade, a conta está sendo
cobrada. Com esse quadro o produtor de milho teria que vender o
milho de forma parcelada ao longo do segundo semestre e a venda da
soja deveria aproveitar picos de aumento de preço por conta de
notícias climáticas desfavoráveis.
Quanto ao trigo,
Stefanello acredita que o governo tem poucos recursos para intervir
no mercado, pois o governo está numa contenção de gastos, pois
apesar de arrecadar 37% do PIB em tributos, ainda não atingiu um
equilíbrio entre o que arrecada e gasta. A situação é difícil e
as entidades públicas e privadas tem que trabalhar juntas para
fazer frente a esse quadro.
A palavra foi
passada ao Sr. Marcelo Vosnika, Presidente do Sinditrigo Paraná,
que explanou sobre o mercado de trigo, informando que os preços
pagos pelo trigo de R$370,00 por tonelada eqüivalem a US$157,00 por
tonelada e que nos anos de pico do preço do trigo o valor pago
chegou a R$700,00, o que eqüivalia na época a US$165,00 em média.
Tanto a farinha, quanto o trigo são suscetíveis ao câmbio. Na
Argentina o custo de produção do trigo é de US$85,00 e a
Argentina vende o trigo por US$135,00. Isso demonstra que o custo do
trigo do produtor brasileiro é muito alto. O produtor plantou com
um dólar beirando a paridade R$4,00/US$, mas quando o dólar caiu,
houve uma redução de custo que não acompanhou essa redução do
dólar. Estimando que o plantio na Argentina vai cair em torno de
10%, mesmo assim haveria um excedente no Mercosul de 4 milhões de
toneladas. Este é o pior momento do mercado, mas a tendência é do
melhorar.
O Sr. Marcelo
Vosnika alertou que o consumo de farinha de trigo caiu e a
indústria está com estoques e não está comprando. Uma das causas
desta redução do consumo de farinha de trigo é a competição com
produtos como o arroz e o frango, que tiveram redução de preços.
Esse período deveria ter aumento de consumo de farinha de trigo,
mas paradoxalmente é o primeiro ano que se observa redução no
consumo e uma migração para consumo até de supérfluos. Quanto a
Argentina a ABITRIGO já pensa em solicitar medidas de salvaguarda.
A farinha de trigo argentina entra de caminhão, vem para o sul e
sudeste do Brasil e causa um grande impacto nessas regiões.
Para a próxima
safra há o receio de queda da qualidade do trigo, pois nas 3 safras
anteriores houve uma excelente qualidade e teme-se perder esse
padrão de qualidade. Como o Rio Grande do Sul está
descapitalizado, vai aplicar menos no plantio do trigo e produzir um
trigo de PH baixo, que irá para a mistura, interferindo no mercado
e puxando o preço para baixo. No Paraná, os moinhos compram 90% do
trigo nacional, mas alerta que o trigo branco/claro está sumindo e
o Rio Grande do Sul está ganhando este mercado. Não se deve perder
de vista que deve existir a segregação de trigo, pois quando as
multinacionais recebem o trigo misturado, este volta para o mercado
com preço baixo estragando o mercado.
Outro problema que
ocorreu no mês de junho refere-se ao ICMS que foi diferido em São
Paulo, segundo o governo de lá para fomentar a triticultura no
estado, mas essa é uma medida populista para baixar o preço do
pão, pois um produtor que planta laranja em SP não mudaria para o
trigo. O Paraná manda 1 milhão de toneladas para São Paulo e o
governo daqui teve que dar um diferimento interestadual para
equacionar o problema e os moinhos e produtores do Paraná não
serem prejudicados. Para equacionar as alíquotas interestaduais,
deveria haver uma única alíquota interna e interestadual de 7%.
Ressaltou que o Paraná foi moldado para ser um estado exportador de
trigo e essa situação do imposto atrapalha o comércio de trigo.
O Sr. Nilson
Camargo, técnico da FAEP, solicitou informações sobre a qualidade
e da origem do trigo consumido no norte e nordeste, pois existe uma
mobilização para mudar a situação da cabotagem. O Sr. Otmar
Hubner, técnico do DERAL/SEAB, informou que 98% do trigo é
importado da Argentina para aquela região. O Sr. Marcelo Vosnika
disse ser louvável o aumento de subsídio para escoar o trigo do
Rio Grande do Sul para o Nordeste e que houve uma melhoria da
qualidade do trigo com mais variedades que o trigo argentino e com
lotes de trigo no Paraná comparáveis ao trigo do Canadá. Na
Argentina a variação é menor, com menos variedades e conta com
condições climáticas mais favoráveis.
O Sr. Edison Ponti,
do S.R. de Londrina, colocou que o enfoque na questão do trigo
deveria ser a pesquisa com sementes, dada a baixa produtividade. A
espiral de insucesso do trigo ocorre porque sempre se repetem as
mesmas coisas e não há uma política para premiar o aumento de
produtividade e sim uma briga por uma reserva de mercado.
O Sr. Flavio Turra,
da Ocepar, relatou que o trigo é muito dependente da taxa de
câmbio e os preços internacionais estão com cotações mais
baixas e que os preços em dólar do primeiro semestre mostram que
os preços recebidos em dólar pelos produtores caíram em média
20% e na moeda brasileira, o real, foram 40% menos. Os estoques do
Estado de trigo:
Da safra de 3
milhões de toneladas da safra passada ainda estão em estoque:
400 mil toneladas
na CONAB, 200 mil com produtores rurais e 100 mil com cooperativas e
cerealistas, num total de 700 mil toneladas estocadas. Como a safra
atual será boa, teremos somados às 700 mil toneladas de
estoque-de-passagem, mais 3milhões de toneladas num ano em que os
preços estão entre R$19,00 e R$20,00 para o produtor. Turra não
vê boas perspectivas para o trigo. A região centro-sul consome 6
milhões de toneladas e a região norte e nordeste 4 milhões de
toneladas.
O Sr. Flávio Turra
relatou que o Paraná detém ainda 700 mil toneladas de trigo
remanescentes da safra passada (2004) a espera de comercialização
ou remoção nos armazéns do Estado. Em 2005 a safra também
deverá ser boa, repetindo os números da colheita do ano passado
totalizada em 3 milhões de toneladas. Porém, o grande problema,
ressaltou, é que o Paraná estará com aproximadamente 3,7 milhões
de toneladas para comercializar em 2005, ano em que a taxa de
câmbio está desfavorável e os preços internacionais em baixa,
mas os custos altos. Turra acredita que o governo deve intensificar
a aquisição de trigo via Prêmio de Escoamento da Produção (PEP)
e viabilizar de uma vez por todas a cabotagem no Brasil, pois é
inadmissível o frete do trigo argentino ser mais barato para ser
colocado no nordeste do que o frete do sul para aquela região.
Milho:
abastecimento no Paraná
Stefanello acredita
que a produção mundial não deverá suprir o consumo. Neste
momento está entrando a safrinha e entre final de fevereiro até
agora é entresafra. Acredita que a tendência do preço é subir
daqui para a frente, passado o momento de oferta. Enquanto os
estoques do governo estão relativamente pequenos até o final do
ano e será necessário importar mais milho do que nos anos
anteriores, algo entre 1,5 e 2 milhões de toneladas, sendo que ano
passado foi importado muito pouco. A tendência para meados do
segundo semestre é que o preço do milho suba e que o produtor que
tiver milho agora, que faça venda parcelada ao longo do segundo
semestre, caso tenha capacidade. O preço do milho só vai subir,
devido ao reflexo da redução de estoques, até a paridade
importação e com isso a atual taxa de câmbio tem efeito redutor
no preço.
Quanto ao milho, o
representante da OCEPAR, Flavio Turra, diante da informação que
alguns armazéns do Paraná solicitaram a remoção dos estoques do
governo, entende que uma venda dos atuais 400 mil toneladas de milho
prejudicará o produtor e defende um estudo para realizar uma
movimentação entre os armazéns do governo, evitando a venda do
estoque para evitar uma baixa nos preços.
Turra relatou que a
Argentina não segrega o milho Bt do RR e que a CTNBio autorizou
apenas a importação de milho Bt, o que poderá inviabilizar a
importação de milho do país vizinho. Estima uma produção total
de milho de 8,4 milhões de toneladas (6,4 milhões de toneladas na
safra e dois milhões da safrinha) no Paraná, sendo que o consumo
interno será de 7,8 milhões de toneladas.
O Sr. Nelson
Paludo, questionou sobre a importação de produtos substitutos ao
milho como o sorgo e se seria verdade a importação de 1,5 milhões
de toneladas de produtos substitutos. Turra informou que com uma
safra menor esta se buscando alternativas e até o trigo de baixa
qualidade pode entrar para a produção de ração, a qual pode ter
até 20% em produtos substitutos ao milho.
Otmar Hubner, do
Deral/SEAB informou sobre um possível aumento da área de milho
safra normal e uma redução da estimativa de milho safrinha, que
está tendo muita produção indo para a silagem, o que deve reduzir
a estimativa da safrinha para 1,95 milhões de toneladas.
O Sr. Angelo
Mezzomo, do S.R. de Coronel Vivida, cumprimentou o Sr. Stefanello
por suas colocações referentes ao problema que existe entre os
conceitos de pequeno agricultor e o paternalismo que mantém as
pessoas no lugar errado plantando culturas para as quais não tem
condições e viabilidade.
Sementes:
fiscalização
A reunião da
manhã foi encerrada e no período da tarde com a presença do
representante do MAPA, Sr. Hugo Caruso, o representante da APASEM,
Eugênio Bohatch, fez um convite aos presentes para participarem
entre 22 e 26 de agosto do 14. Congresso de Sementes em Foz do
Iguaçu e que tratará do tema "Semente pirateada: agricultura
penalizada."
Eugênio Bohatch,
da Associação Paranaense dos Produtores de Sementes e Mudas
(APASEM), proferiu a palestra: "Legislação Brasileira sobre
Sementes".
>>Veja
apresentação aqui
Bohatch destacou
que o setor sementeiro gaúcho está esfacelado devido ao evento da
semente pirata e que o Paraná, maior produtor de sementes do
Brasil, corre o risco de seguir esse caminho. relatou que o setor
sementeiro do Rio Grande do Sul contava em 2000 com 360 produtores
de sementes e que este ano conta apenas com 140. Durante sua
palestra orientou os produtores a trabalharem apenas com sementes
certificadas e com origem comprovada por nota fiscal.
Hugo Caruso, do
MAPA, informou que o plantio com semente pirata é uma infração
que pode ser multada com valores que podem chegar a R$18mil e 125%
do valor do produto.
Soja
transgênica: cobrança de royalties
Após o término da
pauta sobre a lei de sementes, Antônio Smith e Alfredo Miguel Neto,
representantes da Monsanto, proferiram palestra explicando como foi
realizado a fixação de preços dos royalties da tecnologia da
semente de soja transgênica Roundup Ready (RR), o histórico das
negociações e o funcionamento da cobrança para o Brasil.
Serão cobradas
duas taxas diferentes e com fins específicos e não cumulativos:
1. Royalties:
definida para todo o Brasil no valor de R$0,88 por kg de semente RR
adquirida. Ao adquirir sementes certificadas com a tecnologia
Roundup Ready (RR) da COODETEC ou de outras produtoras de sementes,
o produtor receberá do vendedor um crédito eletrônico e um
certificado nominal e intransferível, válidos por uma safra,
atestando a quantidade das sementes adquiridas e a de grãos que
poderá entregar para venda, isenta de pagamento de indenização
pelo uso não-autorizado da tecnologia. Para o Paraná foi
estipulado que este certificado dará direito a um crédito de 73kg
de grãos para cada quilo de semente. O produtor que decidir plantar
soja transgênica deverá apresentar esse certificado no momento de
venda na indústria e isso comprovará que já pagou pelos royalties
da tecnologia RR.
2. Taxa de
indenização pelo uso não-autorizado da tecnologia RR: ao
contrário do que ocorreu em alguns estados, no Paraná a Monsanto
ainda não negociou com os produtores rurais o valor da taxa de
indenização pelo uso não-autorizado da tecnologia RR, porém essa
cobrança já foi feita na safra passada no Rio Grande do Sul e
ficou em R$ 0,60 sobre a saca de grãos comercializada. Para este
ano ficou definido em 2% sobre a comercialização.
A Monsanto acredita
que cada produtor terá um ganho de no mínimo R$100,00 por hectare
com semente de soja RR, e por isso estaria cumprindo uma política
mundial da empresa de dividir com o produtor os lucros dos
benefícios com a nova tecnologia.
O Sr. Jorge
Proença, técnico da FAEP, questionou sobre a diferença de
pagamento de royalties e taxa de indenização. Segundo Proença, a
Monsanto estaria cobrando algo em torno de R$52,00 por hectare para
quem compra semente transgênica RR, valor inferior ao cobrado na
taxa de indenização, que sairia por volta de R$30,00 por hectare
no Rio Grande do Sul. O Sr. Antônio Smith ressaltou que as
negociações ocorreram em momentos distintos e que a Monsanto
pretende no mínimo igualar na próxima safra os valores cobrados
dos royalties e taxa de uso indevido.
O dilema dos
produtores paranaenses sobre que tipo de semente escolher para a
safra 2005/2006, na dúvida entre a soja convencional e a soja
transgênica também foi discutido. Cada produtor deverá fazer suas
contas para optar pela variedade mais adequada a sua condição
financeira. O problema é que o Estado dispõe hoje de apenas 28 mil
toneladas de semente transgênica, suficiente para cobrir 8% da
área do plantio da soja do Paraná. A estimativa de plantio de soja
na safra 2005/2006 no Paraná é para uma área de 4 milhões de
hectares, sendo necessários aproximadamente 240 mil toneladas de
sementes.
Os membros da
Comissão Técnica de Grãos ouviram dos representantes da Monsanto
que este sistema evita cobrança duplicada dos produtores e que o
produtor que entregar no mercado soja convencional não pagará
royalties ou taxa de indenização, pois o teste de cargas
transgênicos da Monsanto aceitará até 10% de mistura com grãos
transgênicos.
Terminado o debate
sobre os royalties e nada tendo mais a discutir o Sr. Ivo Arnt,
presidente da Comissão, deu por encerrada a reunião.
Pedro
Loyola
DTE
- FAEP
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