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COMISSÃO TÉCNICA DE
Grãos / Financiamento da
Produção e PROAGRO
COMISSÃO
TÉNICA DE GRÃOS
FINANCIAMENTO DA PRODUÇÂO E PROAGRO
DATA: 20 DE JULHO DE
2004
LOCAL: FAEP
PARTICIPANTES:
Luiz Antonio Carniel - Cascavel
Abílio Gehlen - Coronel Vivida
Ângelo Mezzomo - Coronel Vivida
Anton Gora - Guarapuava
João Conrado Schmidt - Ipiranga
Edison Mazei Ponti - Londrina
Marco Arthur Saldanha da Rocha - Marialva
Antonio Alvino Landgraf - Maringá
José Fernando de Paula - Ortigueira
Luiz Capraro Neto - Palmeira
Jean Paulo Pazinato - Sertanópolis
Ivo Carlos Arnt Filho - Tibagi
Nelson Natalino Paludo - Toledo
Jorge Proença – FAEP
Gilda Bozza – FAEP
O
Presidente da Comissão Técnica de Grãos, Financiamento da
Produção e PROAGO, Dr. Edison Mazei, agradeceu a presença de
todos e manifestou o seu ponto de vista quanto ao cenário atual da
cultura da soja, com aumento da produção nos principais países
produtores e a queda acentuada nos preços, o que poderá provocar
quebradeira geral, face aos aumentos do custo de produção. Após
as colocações iniciais, o Presidente da Comissão passou para a
pauta do dia, iniciando a discussão sobre o Plano Safra 2004/2005.
O
Sr. Ivo Arnt, representante de Tibagi, solicitou a palavra,
relatando ao Presidente que havia participado de reunião da Câmara
Setorial de Trigo e Culturas de Inverno, no dia oito de julho
corrente, ocasião em que foi apresentado, pelo Dr. Silvio Farnese,
do Ministério da Agricultura, o Plano Safra 2004/05, com enfoque
nas principais alterações ocorridas e portanto, poderia passar aos
membros presentes um resumo da palestra. O Plano Agrícola e
Pecuário 2004/2005, recém aprovado tem recursos da ordem de R$ 39
bilhões, configurando um aumento de 45,3% nos recursos. Comentou
sobre os instrumentos de apoio à comercialização, salientando que
foram mantidos os instrumentos antigos, sendo que do EGF foram
retirados alguns entraves, introduzida a exigência de penhor da
mercadoria financiada e o impedimento de substituição de
garantias, citando o exemplo do setor industrial do trigo, para a
qual o EGF vai atrapalhar toda a cadeia, porquanto tem que aguardar
180 dias, não tem oxigenação. Em prosseguimento ,informou que
foram criados novos instrumentos, entre eles o Contrato de Opção
de Compra, que é um título negociado pelo Governo
para venda dos estoques públicos; leilão para entrega futura com
preços definidos e tendo como público: agroindústrias,
comerciantes, exportadores, etc. Informou que está em formatação
o Contrato Privado de Opção de Venda (cuja origem provém de
pleito da Comissão de Grãos e gestões junto à CNA), que é uma
opção de venda lançada pelo setor privado, através do qual o
Governo leiloa o prêmio de risco para cobrir eventual diferença
entre o preço de mercado e de exercício. O valor definitivo do
prêmio de risco depende do comportamento do mercado no exercício
em relação ao preço de exercício e do deságio ocorrido no
leilão. Foram introduzidos dois novos instrumentos, constantes de
Medida Provisória, que são: CDA (Certificado de Depósito
Agropecuário) e WA (Warrant Agropecuário), títulos emitidos
simultaneamente. O CDA é um título de crédito que representa a
promessa de entrega da mercadoria depositada, contém as
características da mercadoria, não tem valor fixo , prazo de até
365 dias e negociação sem incidência do ICMS. O WA é um título
de crédito que confere penhor sobre a mercadoria descrita no CDA. O
produtor deposita no armazém de sua confiança, solicita do
depositário a emissão do CDA e WA e registra o título em sistema
autorizado pelo Banco Central. Abordou também o diminuição de
prazo para pagamento de custeio da soja, porquanto o produtor recebe
o dinheiro em setembro e tem que pagar o custeio em março.
Finalizando o Sr. Ivo Arnt discorreu sobre a cultura do trigo,
informando que o excesso de chuva prejudicou a qualidade, originando
um trigo chuvado, de qualidade inferior, que não dá panificação.
O
Sr. João Conrado Schmidt, do Sindicato Rural de Ipiranga,
manifestou sua opinião quanto ao Plano Safra 2004/05, colocando que
a FAEP deveria efetuar uma análise do crédito rural e desmascarar
os mitos, ressaltando o que existe de fato, haja vista que o foco do
Governo Federal está voltado para o pequeno produtor e no seu ponto
de vista, o Governo tem que dar condições iguais para todos.
Solicitou ainda maior empenho da Federação na defesa dos
interesses do produtor quanto ao Plano Safra 2004/05.
O
Sr. Antonio Alvino Landgraf, representante do sindicato de Maringá,
alegou que deveria ser solicitado o aumento do limite de crédito da
soja para R$ 200 mil, concedendo o mesmo valor de compra do ano
passado.
Foi
aprovado pelos membros da Comissão, a elaboração de um documento
protestando contra a redução do custeio da soja, haja vista que se
tratava de uma conquista dos produtores e no momento o Governo quer
retirar, configurando um retrocesso no sistema de crédito rural.
Não há recursos, isto é, o Governo não recebeu o dinheiro da
safra de verão em razão das perdas com a estiagem e o crédito
rural vem registrando reduções significativas ao longo dos anos,
com a crescente retirada de apoio financeiro ao setor que dá
sustentação à economia brasileira. Abordar os pontos
específicos, como por exemplo, a questão do seguro rural, exigindo
a instituição imediata.
O
documento deverá ser encaminhado ao Presidente da FAEP, solicitando
maior esforços, dada a importância do agronegócio.
O
representante de Ortigueira, Sr. José Fernando de Paula,
solicitou que a FAEP faça um estudo, levantando o aumento do custo
de produção.
O
Sr. Neuri José Dal Molin, representante do Sindicato de Campo
Mourão, exaltou as ações da FAEP, mais especificamente a Casa
em Ordem e o Empreendedor Rural, aproveitando a oportunidade para
solicitar a inclusão de um novo item na Casa em Ordem. O foco
educacional, no sentido de alertar o produtor rural para não fazer
má alocação de seus recursos, aplicando em veículos e máquinas
desnecessárias. Solicitou elaboração de palestra, contendo
informações sobre custo de produção; prioridades no gasto do
dinheiro; orientação à maximização de seus recursos próprios e
a retomada dos cursos de comercialização.
O
representante do Sindicato de Sertanópolis, Sr. Jean Paulo
Pazinato, solicitou que a FAEP levante os custos de produção e os
aumentos dos insumos, uma vez que em sua opinião os custos de
produção disponibilizados pela SEAB e pela OCEPAR não são
confiáveis. Os preços dos insumos assinalam fortes elevações e
de posse de um estudo, seria o caso de solicitar a abertura das
planilhas de custos das empresas fornecedoras de insumos. Também
solicitou a realização de cursos sobre mecanismos de
comercialização, ministrado por técnicos da BMF
O
representante do Sindicato de Ortigueira, Sr. José Fernando
de Paula, solicitou a palavra para colocar em discussão os
transgênicos. O Sr. Ângelo Mezzomo, do Sindicato de Coronel
Vivida informou que a diferença de custo de produção com a
soja tradicional é elevadíssimo, haja vista que o produtor gasta
no entorno de 90% a menos no item herbicidas e tem um rendimento de
30% maior na produção. Assim, no seu entendimento, é preciso
lutar para que os órgãos técnicos liberem a semente transgênica
e o produtor paranaense tenha conhecimento qual a semente indicada
para a sua região. O Sr. Nelson Paludo, do Sindicato Rural de Toledo,
relatou que efetuou duas viagens com produtores da região para o
Rio Grande do Sul com o objetivo de conhecer e trocar informações
e a economia, segundo os produtores gaúchos é de 5 sacas/ha na
implantação e ganho de 5 sacas/ha na colheita, resultando em lucro
de 10 sacas/ha. Informou que a PUC cedeu dois estagiários para
levantar o custo de produção em 10 propriedades e comparar com o
custo de produção da soja transgênica do Rio Grande do Sul.
Propôs à FAEP em parceria com a OCEPAR, efetuar uma análise do
referido estudo. Informou que realizou seminário sobre OGM'S. com
excelente resultado e um outro seminário está marcado para
16.08.04, com a presença de técnicos da Embrapa de Passo Fundo –
RS. O representante do Sindicato de Campo Mourão, Neuri
José Dal Molin, informou que a CODETC está colocando à
disposição dos produtores três variedades de sementes e a Embrapa
tem outras três variedades de sementes transgênicas já testadas.
Colocou que existe uma grande interrogação: como fica a situação
do produtor de sementes? ele pode plantar e poderá comercializar?
O
representante do Sindicato de Ortigueira, José Fernando de
Paula, informou que nos contratos a termo com as indústrias foi
incluída uma cláusula constando que não é permitido plantar
transgênicos e se o produtor plantar e comercializar, a indústria
se dá o direito de recolher os royalties. Salientou que é uma
medida de precaução para não vir a sofrer desconto da Monsanto.
Adicionou aos comentários sobre semente transgênica que a CODETEC
tem cinco variedades e a Embrapa conta com 11 variedades.
O
assunto foi exaustivamente discutido e os membros da Comissão
aprovaram as seguintes ações quanto aos produtos geneticamente
modificados:
- realizar
reuniões nos núcleos regionais dos sindicatos rurais, com os
presidentes de sindicatos e técnicos da Embrapa e da CODETEC;
- combater a
propaganda do Governo Estadual;
- exercer pressão
para o governo estadual liberar o plantio de soja transgênica;
e
- gestionar, antes
da edição da Medida Provisória, a permissão para que os
produtores de sementes de soja possam comercializar.
Os
membros da comissão aprovaram a realização pela FAEP dos
custos de produção dos principais produtos agrícolas: soja,
milho, trigo, feijão e outros, alegando que os custos
disponibilizados pela SEAB e OCEPAR carecem de confiança e a
pressão dos aumentos dos insumos está inviabilizando a atividade.
Nada
mais havendo para ser discutido, o Dr. Edison Mazei Ponti, comunicou
aos membros da Comissão que estava deixando o cargo de Presidente,
em razão de assuntos particulares e deu por encerrada a reunião.
Gilda
M. Bozza
FAEP – DTE
Jorge
Proença
FAEP - DTE
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