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COMISSÃO TÉCNICA DE
Grãos / Financiamento da
Produção e PROAGRO
MEMÓRIA
DA REUNIÃO DA COMISSÃO TÉCNICA DE GRÃOS, FINANCIAMENTO DA
PRODUÇÃO E PROAGRO
Data:
17 de março de 2.004
Local
: Auditório
da FAEP
Participantes
: Lista de
presença anexada
Após
uma auto apresentação os participantes efetuaram um breve relato
sobre a situação da agricultura em suas respectivas áreas de
atuação.
Região.
Toledo.
- Nelson Natalino Paludo.
A
estiagem prejudicou sensivelmente a produtividade da soja,
com um volume de produção variando de 10 a 40 sc/ha, quando a
produtividade normal é de mais de 50 sc/ha. A 2ª safra de milho
terá sua área de plantio reduzida em função da falta de recursos
para o crédito rural e de um seguro agrícola que lhes diminua os
riscos contra eventos frustrantes, típicos desta estação do ano.
O Sindicato Rural de Toledo vem organizando junto com a Pontifícia
Universidade Católica – PUC (Campus de Toledo) um Seminário
sobre Organismos Geneticamente Modificados, a ser realizado
durante o dia 29 de abril próximo. Adiantou que vêm pregando a
defesa dos OGM e especial da Soja RR.
Guarapuava
.- Anton Gora.
O
desenrolar da safra atual vem repetindo o da safra passada com
média de 3.100 kg/ha para a soja e 9.000 kg/ha para o milho.
Informou que a ferrugem asiática ainda não se manifestou de
forma agressiva. A safra outono/inverno (trigo, cevada e aveia)
está sem recursos de crédito para custeio da safra. Lembrou que a
comercialização da cevada vem sendo dificultada devido em 1º
lugar por haver somente um comprador (AmBev), em segundo lugar por
uma importação de produto subsidiado.
Ipiranga.-
João Conrado Schimidt
Situação
similar à de Guarapuava, onde as produção de soja e milho
estão prometendo ótima colheita. Da mesma forma ainda não
conheceram os danos causados pela ferrugem asiática. Sofre,
com a cevada o mesmo problema que os produtores da região de
Guarapuava sofrem, ou seja , comercialização competitiva com
preços de uma produção altamente subsidiada, na importação. A
falta de recursos para o crédito oficial de custeio e as péssimas
condições das estradas vicinais para o escoamento das safras são
gargalos que dificultam as ações dos produtores.
Sertanópolis.-
Jean Paulo Pazinato e Wagner da Silva
De
toda a área plantada com soja, 1/3 já está colhida, com
uma redução muito expressiva na produtividade devido à seca
acontecida. A produção média regional é de 140 sacas por
alqueire (3.500 kg/ha) e a produção conseguida está em torno de
90 sc/alqueire (2.200kg/ha). Outro problema que vem afligindo o
produtor é o compromisso que muitos deles assumiram através de
contratos de compra/venda de soja ao preço de US$ 10.00 /sc.
Informou ainda que a ferrugem asiática não se manifestou na
região. Quanto ao milho 2ª safra estão encontrando dificuldades
com o crédito e o preço de insumos, especialmente o da semente.
Palotina
- Carlos Mattiuzzi
Já
está concluída toda a colheita da soja. A seca provocou uma
redução de 35% na produtividade dessa leguminosa. Quanto ao milho
1ª safra é inexpressiva suas área de plantio. Quanto ao milho 2ª
safra, a seca que está atingindo a região vem prejudicando seu
plantio e não há seguro para proteção do custeio. O crédito
está muito restrito, uma vez que não há disponibilidade de
recursos nas agencias da região.
Mal.
Cândido Rondon - Eloi Podkowa
A
produção da soja foi muito afetada pela seca , que provocou uma
redução de produtividade da ordem de 50 a 60%. O milho 1ª safra
já está colhido na totalidade. É bom lembrar que esse plantio tem
pouca significância regional. Quanto ao milho 2ª safra seu plantio
concluiu-se em 10 de março, data limite para a região estabelecida
pelo zoneamento agrícola. Sofrem, também, muitas restrições
quanto ao crédito de custeio, devido à carência de recursos
controlados (8,75% ao ano). A falta de seguro inibiu muitos
produtores, quanto à aplicação de tecnologia.
Mangueirinha
- Jaques
Arthur B.Serpa
Está
sendo iniciada a colheita (5% colhida). A produtividade apresentada
varia de 50 a 120 sacas por alqueire ( 1.200 a 3.000 kg/ha. O milho
da 1ª safra está todo colhido, com produtividade média de 280
sc/alq (7.000 kg/ha). Há carência de crédito com recursos
controlados.
Maringá
- Antônio Alvino Landgraf
A
soja vem apresentando uma redução de 25 a 30% na produtividade.
Está sendo iniciada a colheita da soja , enquanto a do milho já
foi concluída, com produtividade igual àquela da safra passada.
Campo
Mourão.- Neuri José Damolin
Soja:
Produtividade normal – 3.500 kg/ha
Produtividade 2.004 - 1.200 kg/ha
Milho: Produtividade normal – 8.500 kg/ha
Trigo: Está sendo substituído por aveia
Está sofrendo com as mesmas dificuldade de crédito, das estradas,
etc.
Palmeira
- Luiz Capraro Neto
40% do milho
plantado está colhido.
A soja não iniciou ainda a colheita.
Falta recursos do crédito rural oficial para atender exigências
dos cultivos de outono/inverno.
Ortigueira
- José Fernando de Paula
Em seu
relato mostrou estar havendo muita similaridade com as regiões de
Ipiranga, Guarapuava, as quais , devido ao calendário de plantio
não sofreram as ações insidiosas da seca que assolou o nosso
Estado.
Tibagi
- Ivo Carlos Arnt Filho
Apresentou
o relatório com os resumos das palestras acontecidas no Seminário
de Trigo, realizado em Londrina, de 03 a 05 de fevereiro de
2.004, do qual participou, como um representante da FAEP. O material
foi distribuído a todos os participantes. Historiou a situação da
agricultura na região, onde a soja apresenta queda de 15% na
produtividade, devido a seca e ataque mais efetivo da Ferrugem
Asiática. Já o milho teve um desenvolvimento normal e
produziu bem.
Londrina
– Edison Mazei Ponti
Abordou
inicialmente o tema sobre determinação de umidade, quando o
produtor fica submisso ao comprador ou depositário da sua
produção, não tendo como aferir os descontos acontecidos. Não
sabe sequer se há alguma instituição responsável pela
fiscalização ou para atender reclamações do produtor.
Abordou
o grave problema da armazenagem , em um momento em que a
segregação de produtos se faz necessária e o crédito escasso
está impedindo o aumento da capacidade armazenadora na propriedade.
Apresentou
o custo de produção da soja, do milho e do trigo, onde somente a
soja oferece lucro. É necessário a interferência governamental
para controlar a oferta, adequando-a às reais necessidades do
consumo, através da utilização de instrumentos de
comercialização, como o Contrato de Opção de Venda, LEC, EGF e
outros. Abordou o tema sobre transgenia, entendendo que
liberalização da soja RR se faz necessária, porém com a
preocupação com a segregação a e com o rastreamento,
deixando para o produtor a decisão sobre seu plantio.
Temas
comuns a todas as regiões do Estado.
- Crédito Rural.-
Falta de recursos controlados (8,75% ao ano) para a safra futura
de outono/inverno de 2.004 (milho 2ª safra, trigo e cevada).
A
falta de recursos no PRONAZEM impede que produtores possam manter
sua produção para negociarem em momento mais apropriado de
mercado.
A
falta de seguro agrícola para a safra de inverno reduz tecnologia
na aplicação do custeio.
- Fitossanidade.-
Os
altos custos dos defensivos dificultam muito a competição da
soja no mercado internacional. Sendo permitido a importação
desses insumos, desde que houvesse registro do princípio ativo no
país de origem e no Brasil, permitiria um nivelamento por baixo
dos preços de aquisição dos defensivos a serem aplicados.
- Trangenia.
-
Os Organismos geneticamente modificados ganham adeptos a cada dia.
Os produtores estão ansiosos pela definitiva liberação do
produto para plantio.
- Ferrugem
asiática.
-
Há uma preocupação latente, uma vez que no Brasil não há
produto (fungicida) registrado para esse uso . A EMBRAPA testou
vários produtos e teve resultados bastante favoráveis com o
Folicur, porém no registro desse fungicida não consta o uso para
controle desse fungo, o que impede que o técnico responsável
possa prescreve-lo através de seu receituário agronômico, para
esse uso.
- Comercialização.
-
O milho e o trigo necessitam de uma intermediação do governo
através do uso de instrumentos específicos, como o Contrato de
Opção e LEC entre outros, a fim de reduzir ofertas.
- Previsão do
clima.
-
A falta de previsões climáticas a médio prazo (de 3 a 6 meses)
impede uma projeção mais real de aplicações tecnológicas.
- Pesquisa.
– Critica à redução de verba para o desenvolvimento da
agricultura brasileira, cerceando o desenvolvimento científico
desse segmento da nossa economia.
- Determinação do
grau de umidade.
–
Há muitas reclamações quando à qualidade da determinação do
grau de umidade por parte dos compradores (até mesmo
cooperativas), trazendo prejuízos ao produtor.
Palestras
apresentadas
Adilson
Ricardo
Apresentou o
encaminhamento já efetuado pela FAEP de reivindicações antes
sugeridas por diversos sindicatos rurais. Prorrogação das dívidas
de produtores que tiveram perdas com a seca que assolou o Estado.
Solicitação de recursos para financiamento da safra de inverno e
do milho 2ª safra.
Nilson
Hanke Camargo
A situação
atual das exportações pelo porto de Paranaguá. Dificuldades com
os desmandos do governo do Estado e posicionamento da FAEP .
Sugestões
da CT de Grãos Financiamento da Produção e PROAGRO à FAEP
Esta CT, no âmbito de sua gestão, sugere medidas à direção da
FAEP que entende contribuiriam muito na defesa dos interesses do
produtor paranaense. São elas:
- Crédito Rural de
Custeio.
-
Insistir junto ao Governo Federal para a destinação imediata de
recursos controlados para a safra de inverno 2.004.
- Credito rural
investimento.
-
Que recursos sejam também aplicados na reativação do PRONAZEM,a
nível de fazenda.
- Comercialização
- Milho
2ª safra.- A FAEP faria gestões junto ao Governo Federal para o
lançamento de Contratos de Opção de Venda antes do plantio e
com vencimento para depois da colheita, em valor 10% acima do
preço de paridade de exportação. O mesmo comportamento para o
Trigo e cultivos da safra primavera/verão 2004/2005.
- Clima
-
Consultar o SIMEPAR sobre a possibilidade de previsões
climáticas a médio prazo (3 a 6 meses), uma vez confirmado,
pode-se oferecer ao produtor informes climáticos de suma
importância quanto à decisão de plantio. A FAEP ofereceria ao
produtor informes mensais ou mesmo quinzenais através de seu
Boletim Informativo.
- Fitossanidade -
A FAEP lideraria a organização de um seminário sobre
comercialização, importação e registros de produtos químicos
para a agricultura. Participariam como painelistas Técnicos da
SEAB-PR, MAPA, MMA, MS, Sec.da Saúde, Pesquisa, Políticos,
Cooperativas (OCEPAR), SR, e Comissões Técnicas da FAEP.
- Preços
Mínimos.-
Atualização
dos Preços Mínimos vigentes, com especial atenção à cevada,
pelo fato de seu mercado estar constituídos de muito poucos
consumidores (basicamente a AmBev). Sugeriria-se um valor igual a
90% do Preço Mínimo do Trigo.
O
presidente da Comissão fez um rápido relato sobre os riscos que o
excesso de oferta de soja, provocada pelo previsível aumento da
área de plantio da leguminosa , em especial no Brasil, provocando,
consequentemente drásticas redução no preço internacional. Dado
o avançado da hora foi proposto uma apresentação especial, para
discussão em uma próxima reunião da CT de Grãos. O tema comporá
a pauta dessa próxima reunião.
Jorge
Proença
FAEP/DTE
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