COMISSÃO TÉCNICA DE
Grãos / Financiamento da
Produção e PROAGRO

MEMÓRIA DA REUNIÃO DA COMISSÃO TÉCNICA DE GRÃOS FINANCIAMENTO DA PRODUÇÃO E PROAGRO

Data: 02 de outubro de 2.003
Local
: FAEP
Participantes
: Lista de presença anexada

Após as palavras iniciais de praxe ditas pelo Sr. Presidente da Comissão, Édison Mazei Ponti, passou-se para o primeiro tema da pauta, ou seja, a apresentação da situação atual da produção de grãos nas áreas paranaenses representadas na sessão.

A região de Guarapuava, na exposição do Sr. Anton Gora, vem sofrendo com as ofertas de pré mistura de trigo a preços que não podem ser acompanhados pela indústria local, com reflexos, naturalmente, na oferta ao triticultor.

A relação entre a área de plantio da soja e do milho será a normal da região, dois terços para a leguminosa e um terço para o cereal, em função da exigência da rotação de cultivos. O comportamento das lavouras de cevada, que fornecem à indústria local vem sendo muito bom, permitindo estimar uma produtividade de 3 t/ha. O mesmo vem acontecendo com as lavouras de trigo.

O representante do Sind. Rural de Ipiranga, Sr. João Conrado Schimidt, informa que o mercado internacional favorável para a soja provoca, inicialmente, uma redução no plantio da área de milho de aproximadamente 10%. Esse número representa o aumento da área de soja ; que não há negócio para o trigo, também em razão da oferta argentina de pré mistura de farinha.

O Sr. Vilmar Battistuz, de Chopinzinho, afirma que, devido ao mercado internacional favorável à soja, a desistência no plantio de milho já provoca uma redução de 15% em sua área de plantio. Informa que da soja colhida, 90% está depositada em armazéns da região, aguardando comercialização, o que criará problemas para o trigo que logo iniciará colheita. Que problemas da clima provocaram uma redução na produtividade desse cereal de inverno, que deve atingir 2.800 kg/ha.

O Sr. Ademar Luiz Pedrom, representante do S R de Palotina, informa ser muito pequeno o plantio com o MILHO, 1ª safra. A soja dominará quase totalidade da área de plantio na região. A rotação de cultivo exigida pela boa tecnologia é feita entre a soja e o trigo ou milho 2ª safra. Que a colheita do milho 2ª safra foi excelente, atingindo 7.500 kg/ha ( 300 sacas por alqueire). Que haverá problemas de armazenagem para o trigo que esta sendo colhido. Que se continuar a política atual para o trigo, a tendência e zerar o plantio deste, uma vez que sua liquidez deixa muito a desejar. Que só está comercializado de 50 a 55% da soja colhida. Que o milho foi comercializado em sua totalidade.

Os representantes do S R de Campo Mourão, Srs. José Carlos Laurani e Neuri José Dalmolin, afirmam a excelência das lavouras de trigo, que já estão em fase de colheita e problemas comuns como a comercialização e armazenagem. Informam que a área de milho será reduzida em 20%. Que o financiamento agrícola está muito demorado e que o Banco do Brasil S/A está fazendo um mix do crédito com recursos controlados e CPR (exige que 20% do volume financiado seja em CPR). O MILHO 2ª safra está sendo substituído pela aveia, em virtude do risco de geada atingindo o milho. Que os dejetos da suinocultura causam um grave problema ambiental.

O representante do S R de Toledo, Sr. Nelson Paulo reafirma para sua região o mesmo que acontece com Palotina. Que a produtividade do milho 2ª safra pode ser considerada muito boa (4.800 kg/ha) e o da 1ª safra atingiu 8.700 kg/ha (350 sc por alqueire). A produtividade do trigo, em função do clima, atingirá somente 2.300 kg/ha. Que a SADIA está fechando, com produtores de milho, contratos a US$ 5,00/sc de MILHO.

O S R Palmeira, representado pelo Sr. Luiz Capraro Neto, informa que na região deve haver uma redução na área de plantio de MILHO ao redor de 10%. A soja ganhará esse espaço. Que o trigo está se desenvolvendo muito bem, quando estimam uma produtividade de 2.800 kg/ha. Que a CEVADA terá sua colheita iniciada em 10 dias. Reclama que o atendimento feito principalmente pelo Bco. Brasil é muito deficiente, em função do reduzido número de funcionários, tornando muito morosa a contratação de crédito.

Concluído o primeiro item da pauta, o presidente da Comissão, Sr. Edison M. Ponti iniciou sua apresentação sobre política de comercialização da safra de grãos 2.003/2.004 .

  • A apresentação do custo de produção da soja, milho e trigo, com base nos valores da região de Londrina mostraram que somente a soja vem oferecendo alguma vantagem ao produtor rural., nos demais (milho e trigo) os custos estão além do que vem ofertando o mercado. A necessidade de uma política oficial de comercialização para os cereais citados é premente para que a oferta não inviabilize sua produção. A presença governamental através dos sistemas de comercialização (Contratos de Opção de vendas, PEP, etc) é fundamental para se ter uma oferta e demanda controlada. Existe risco de desabastecimento de MILHO em 2.004, com graves conseqüências para o controle da inflação. O TRIGO vem ganhando terreno numa preferência do produtor, mas sofrendo a ação negativa de políticas impróprias, com certeza , retornará aos níveis de há dois ou três anos atrás. Quanto ao MILHO , a preferência como substituto de próprio TRIGO, em áreas onde os riscos climáticos são menores ganha a preferência dos agricultores, apesar das contrariedades tecnológicas que enfrenta.

O Sr. Anton Gora apresentou detalhadamente a realidade do TRIGO e da CEVADA no Paraná e no Brasil, cultivos de fundamental importância para a viabilização da propriedade, especialmente no sul do País. Que o país tem bastante espaço de mercado para a produção desses cereais de inverno e que seu incremento só iria trazer mais oportunidades de emprego e geração de tributos e de renda para o Brasil. Mostrou uma planilha detalhada dos custos de importação de trigo e cevada da Argentina, onde o preço FOB do Trigo no porto argentino de US$ 158.00/t chega em Paranaguá a US$ 183.76 e no moinho em Guarapuava a US$206,83 ou R$ 608,00/t. Esses custos apresentam uma diferença significativa com os preços ofertados ao triticultor, mesmo considerando o artifício argentino da pré mistura. Que a indexação da Cevada ao Trigo é uma necessidade, haja vista que o valor CIF na maltaria da Cevada e muito similar ao do Trigo, quando importada da Argentina. Que os financiamentos e respectivos prazos para vencimento oferecidos às indústrias sejam idênticos aos oferecidos para o produto importado. Alertou para as vantagens da auto suficiência na produção de Cevada/Malte para o Brasil, visto que o Brasil importa 180.000 t de Cevada e 658.000 t de malte (dados de 2.001).

É necessário um NOVO MARCO PARA A AGROPECUÁRIA BRASILEIRA.

Nossas reivindicações vem recebendo tratamento meramente burocráticos e não estão sensibilizando os legislativos e os executivos brasileiros ; visando alterar este quadro, a Comissão de Grãos, com a anuência unânime de seus membros, propõe a realização de um Seminário de alto nível com a participação das mais altas autoridades e lideranças do País, com abordagem direta sobre temas que atingem a economia nacional , em especial a economia do agronegócio.

Propõe que a Federação da Agricultura do Estado do Paraná lidere um evento com temas que estão onerando o produtor rural na economia política brasileira, visando conscientizar A Sociedade Brasileiras ( principalmente governadores e deputados) destes grandes e insustentáveis ônus da a necessidade de mudanças eficazes e rápidas.

Como temas principais foram listados:

  • Comercialização (Câmbio), Crédito Rural e Seguro Rural
  • Infra-estrutura de transportes
  • Reforma tributária
  • Negociações na OMC – Subsídios internacionais.

A transgenia foi o tema seguinte discutido, onde as intenções do governo do estado do Paraná, que vem acenando com a total proibição de plantio e consumo desses organismos foi criticada, uma vez que entendem ter o produtor o direito de decisão quanto ao tema na escolha de suas sementes. Por unanimidade dos membros presentes à reunião estabeleceu-se : "Sendo a transgenia uma fato consumado e sem retorno, já distribuída por todo o Globo, esta comissão entende que a liberação total desses OGM’s, em especial da Soja RR , é premente para que o agricultor possa ter as orientações necessárias e decidir a escolha de suas sementes. Para tal o Estado deve implantar um sistema eficaz de Rastreabilidade, Segregação e Fiscalização, para que o produtor possa manter a produção de soja convencional, orgânica e vir a produzir também a soja transgênica, assegurando um mercado já conquistado. Entende ainda que o Paraná não deve isolar-se da nação, restringindo o plantio desses organismos, mas sim legislar em consonância com a União".

Reivindicações recomendadas à Federação pela C. T. de Grãos, Financiamento da Produção e PROAGRO:

  1. Lançamento pelo Governo Federal de Contratos de Opção de Venda para o MILHO, em momento anterior às decisões de plantio ( jul/ago) e vencimento em mar/abr/mai em valores compatíveis com a paridade de exportação. (entre R$19,00 e R$ 20,00/sc) com a finalidade de motivação ao plantio do cereal em volume suficiente para regular a oferta.
  2. Lançamento pelo Governo Federal de Contratos de Opção de Venda para o TRIGO, em momento anterior às decisões de plantio (dez/jan) e vencimento em set/out/nov, em valores compatíveis com a paridade de importação da Argentina.
  3. Oferecer às indústrias de trigo/cevada financiamento com prazo idêntico ao oferecido aos importadores do grão, por agentes financeiros internacionais.
  4. Oferecer uma linha de crédito de investimento para máquinas e equipamentos usados.
  5. Linha de crédito de investimento, na área de armazenagem, para grupos de produtores.

Isto posto, encerrou-se a reunião desta Comissão Técnica.

Jorge Proença
FAEP - DTE

 
 

FAEP - Federação da Agricultura do Estado do Paraná
Comissões Técnicas