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COMISSÃO TÉCNICA DE
Grãos / Financiamento da
Produção e PROAGRO
MEMÓRIA
DE REUNIÃO – COMISSÃO TÉCNICA DE GRÃOS
Data: 12/03/2003
Local: FAEP – Federação da Agricultura do Estado do Paraná
O
presidente da Comissão, Sr. Edson Ponti, inicia a reunião
agradecendo a participação de todos e destacando a importância
das decisões que o setor vem tomando junto aos produtores, Governo
Estadual e Federal e as entidades correlatas. Menciona a reunião
com o secretário de política agrícola do MAPA – Ministério da
Agricultura e Pecuária, Ivan Wedekin, onde presenciou que o Governo
ainda está em fase de adaptação, agindo de maneira extremamente
cautelosa. Colocou que existem conceitos diferentes entre o próprio
ministro Roberto Rodrigues e o Governo do PT, no tocante a tomada de
decisões, onde de um lado o ministro trabalha contra o tempo e, de
outro lado, o Governo sempre tem levado em consideração políticas
de cunho social nas ações do Ministério, tomando muito tempo
deste processo. Em relação às reivindicações feitas para o
trigo e milho safrinha, nenhuma delas foi atendida, destacando o
fato da comissão do PROAGRO ter feito um parecer contrário a
proposta do milho safrinha, a qual validava o zoneamento elaborado
pelo IAPAR. Para o trigo, o Governo tem desestimulado o Proagro,
sendo os valores veiculados ao mesmo completamente irrisórios, não
cobrindo nem 1/3 das despesas totais do produtor. Assim, por
praticamente não existir seguro privado, os valores destinados ao
custeio do milho safrinha e trigo estão se tornando cada vez
menores.
O
Sr. Edson relatou ainda que os representantes dos Moinhos estão
projetando os preços do trigo para 2004 nos níveis de US$ 140,00
por tonelada e que o principal problema do trigo é a modesta
produtividade decorrente da baixa tecnologia das sementes causada
pela forte carência de pesquisas em genética e da pobre
interação pesquisa - extensão. O Sr. Flávio Turra da OCEPAR,
colocou que os custos operacionais elaborados pela entidade
recentemente estavam em aproximadamente R$ 25 por saca, cerca de R$
415,00 por tonelada. Foi levantado pelo Sr. Fernando, S.R. de
Ortigueira, que as cooperativas e produtores que produzem sementes
estavam agindo de maneira cartelizada, exercendo lucros abusivos no
mercado, cerca de 100%. O Sr. Flávio colocou que isto não estava
ocorrendo, pois organizações como APASEM e Fundação Meridional
se reuniram para discutir custos de produção de semente, e não
cartelização. Ressaltou também que provavelmente o que poderia
estar acontecendo é o fato de produtores do Centro-Oeste estarem
comprando sementes no Sul, elevando a demanda pelo produto aqui no
Estado. O Sr. João Schimidt defendeu os preços das sementes como
fonte de renda para o próprio setor, pois de nada adianta se
desgastar com esse problema, se os maiores problemas dizem respeito
aos preços praticados pelos moinhos e pela atual ineficiência do
Governo Federal. Foi levantada a hipótese de se convidar a APASEM e
a Fundação Meridional para uma reunião onde fossem abertos os
custos de produção de sementes, para se identificar e solucionar
tal problema. A alteração do projeto de lei de patente e
proteção de cultivares já foi providenciada pela FAEP junto ao
senador Osmar Dias, a qual retira da lei a impossibilidade do
agricultor de produzir e cultivar sua própria semente.
Dirceu
Ruffato destacou que algumas agências do Banco do Brasil (BB), no
sudoeste do estado, estão negando o custeio de trigo, sendo que
estes recursos são assegurados pelo orçamento da União. Depois de
discutidos os assuntos anteriores, foram elaboradas algumas
propostas para o setor agrícola:
- Autonomia
orçamentária do MAPA, não dependo de avais do Ministério da
Agricultura ou do Banco Central;
- Verificação dos
recursos para custeio de trigo via BB, pois sabe-se que serão
destinados R$ 180 milhões, no entanto, o real montante
necessário calculado pelas entidades do estado giram em torno
de R$ 350 milhões;
- Lançamento de
Contratos de Opção para o trigo no sentido de estimular a
produção e de cumprir as metas do Plano Plurianual.
Em
relação a soja, não foram levantados problemas visto o nível de
excelência do seu sistema de comercialização, bons preços e
projeção de produção recorde – 50 milhões de toneladas.
Em
relação ao milho foi proposto um acordo denominado "Pacto do
Milho "entre os elos do setor produtivo, pois considerou-se a
necessidade da comercialização antecipada de 1/3 da safra, seja
através da atuação da iniciativa privada (endossada pelos
representantes do Sindicarne, Avipar e APS), ou através de
instrumentos de comercialização oficiais e privados como os PEPs,
CPRs, EGF e LEC. Caso não for comercializado antecipadamente esse
1/3 da produção pela iniciativa privada, o Governo Federal entra
no mercado (como tertius no processo) lançando os COVs no
sentido de completar este volume de comercialização.
A
comissão entende que se faz necessário estruturar os COV adotando
os preços de paridade exportação. O preço de lançamento dos
referidos contratos terá por base o valor FOB na praça mais
próxima ao porto de embarque. O volume a ser contratado deverá ser
suficiente a ponto de manter o mercado equilibrado nos períodos de
maior oferta (safra). As datas limites para a iniciativa privada
adquirir 1/3 da produção da safrinha seria até 30 de dezembro
de cada ano e, referente à safra normal, até 30 de junho de cada
ano.
Se
esta meta não for atingida pela iniciativa privada o governo
entraria no Mercado lançando as COV para a safrinha até 30 de
janeiro de cada ano e referente a safra normal até 30 de julho de
cada ano.
A
titulo de incentivo o governo poderia proporcionar as industrias
consumidoras que comprarem antecipadamente ou fixarem preços
antecipados de milho EGF ( empréstimo do governo federal ) em dobro
do valor comprado antecipadamente.
O
Sr. Marcelo Favarão, presidente do S.R. de Campina da Lagoa, fez
uma breve apresentação a respeito do oportuno contato com o Sr.
Sever Peterson, agricultor norte-americano, o qual mostrou interesse
em um intercâmbio com produtores brasileiros, convidando o setor a
participar de visitas e discussões técnicas em seu país. No
entanto, nas discussões da C.T. de grãos, ficou estabelecido que
os mesmos viessem ao Brasil para efetivar um primeiro contato via
FAEP. Desta forma, o Sr. Marcelo ficou encarregado de solicitar
as datas e programação da visita de lideranças dos EUA ao Brasil,
afim de que a FAEP possa elaborar e enviar os convites com a
antecedência necessária. Definiu-se que estes contatos do Sr.
Marcelo farão parte, se possível , do roteiro de visitas de
uma próxima viagem técnica , se houver ,aos EUA.
O
Sr. Péricles, presidente do SINDICARNE, destacou a necessidade de
um amplo conhecimento da realidade do agronegócio do milho para que
as decisões de políticas específicas sejam adotadas
acertadamente. E também colocou três pontos:
- Elaboração de
um completo diagnóstico da cadeia do milho em nível Brasil,
assim como os estudos efetuados sobre as cadeias de carnes no PR
(Unicamp/IBQP/IPARDES). Este seria realizado por técnicos
especialistas do setor onde seriam levantados os problemas e
soluções, e seus custos rateados entre as entidades
interessadas. Uma vez executado, o mesmo será encaminhado ao
Ministro da Agricultura, Sr. Roberto Rodrigues, como
contribuição do estado do Paraná as políticas agrícolas
federais;
- Realização de
um evento regional sobre a cadeia com a presença da indústria,
produtores e Governos. Tal evento contaria com o compromisso da
SEAB através da manifestação do Secretário da Agricultura;
- A publicação
periódica de um boletim informativo , assinado pela
Secretaria da Agricultura , Sindicarne FAEP e outras
entidades da cadeia do milho, sobre o mercado do milho
paranaense, dando pareceres a respeito do próprio mercado de
maneira a orientar as suas tendências. Este seria veiculado aos
diferentes meios da mídia do estado: jornais, revistas,
periódicos;
A
C.T. de grãos ainda acertou a realização de um evento denominado "Reunião
de Trabalho" com a duração de dois dias, onde seriam
contemplados assuntos de extremo interesse do setor como:
- Logística de
transportes (modais rodo e ferroviários e sistema portuário);
- Modernização da
cadeia do milho;
- A utilização de
mercados futuros;
- O sistema
tributário brasileiro; Reforma
Fiscal e Tributária
- Seguro
agrícola e;
- Negociações
Internacionais (OMC, ALCA, Mercosul , relações com a União
Européia).
Este
evento ainda seria discutido entre a C.T. de grãos e a diretoria da
FAEP visando sua realização numa data adequada, com a
participação de importantes personalidades e local preestabelecido
a cidade de Curitiba.
Jorge
de Arruda Proença Filho/Samir Saba Ruggiero
Depto.
Técnico-Econômico
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