COMISSÃO TÉCNICA DE
Hortifruticultura
REUNIÃO
DA COMISSÃO TÉCNICA DE HORTIFRUTICULTURA
1.
INTRODUÇÃO
Realizou-se
em 09 de novembro de 2005 no Sindicato Rural de Cornélio Procópio
a reunião da Comissão Técnica de Hortifruticultura, com a
presença dos seguintes Membros: Marco Antônio Machado (Cornélio
Procópio), Maurício Valenga (São José dos Pinhais); Antônio
Rodante (Maringá), Carlos Alves de Souza, Gerson Rodrigues da Cruz
e Hélio Romanhuk (Campo Mourão); Fernando Kazuo Suetake e Marcelo
Barbosa da Silva (Cascavel); Marco Arthur Saldanha Rocha (Marialva),
Silvio Shigueyuki Nakamura (Congonhinhas), Calmuzino dos Santos
(Curiúva), Tacashi Ichikawa (Jataizinho), José Antônio Rezende da
Silva (Ribeirão Claro), Ernestina Muraoka e Edgar H. Sasajima (Uraí)
e João B. A Penteado Filho (Londrina) representante das seguintes
entidades: EMATER, SEAB, COROL, Cooperativa Sul Brasil.
2.0
ASSUNTOS
TRATADOS
2.1
Certificação
É
um conjunto de atividades desenvolvidas por um organismo
independente da relação comercial com o objetivo de atestar
publicamente, por escrito, que determinado produto, processo ou
serviço está em conformidade com os requisitos especificados.
Estes requisitos podem ser: nacionais, estrangeiros ou
internacionais.
As
atividades de certificação podem envolver: análise de
documentação, auditorias/inspeções na organização, coleta e
ensaios de produtos, na propriedade e/ou packing house com o
objetivo de avaliar a conformidade e sua manutenção.
Não
se pode pensar na certificação como uma ação isolada e pontual,
mas sim como um processo que se inicia com a conscientização da
importância da qualidade para a manutenção da competitividade e
conseqüente permanência no mercado, passando pela utilização de
normas técnicas e pela difusão do conceito de qualidade por todos
os setores da organização, abrangendo seus aspectos operacionais
internos e o relacionamento com a sociedade e o ambiente.
A
importância da certificação para o setor produtivo se traduz:
- Possibilidade de
manter os mercados atuais e conquistar novos mercados.
- Redução de
custos de produção, pelo maior controle das atividades na
propriedade.
- Exigência do
mercado - demanda de consumidor.
- Maior segurança
nos produtos comercializados (segurança alimentar).
A
certificação melhora a imagem da organização e facilita a
decisão de compra para clientes e consumidores.
2.1
.1 Certificação
EUREPGAP
Edgar
de Oliveira Rosa – Engenheiro Agrônomo - OIA
O
protocolo EUREPGAP é um Sistema de Gestão da Qualidade que
tem o propósito de conciliar as normas e os procedimentos para o
desenvolvimento das Boas Práticas Agrícolas e Pecuárias.
EUREPGAP
(Euro-Retailer Produce Working Group - EUREP) nasceu como uma
iniciativa dos comerciantes varejistas e supermercados europeus em
1997 com o Protocolo de Boas Práticas Agrícolas (Good Agricultural
Practices – GAP) para Frutas e Verduras. Posteriormente foram
criados os protocolos de Flores e Ornamentais, Aqüicultura, Café e
Asseguramento Integrado de Fazendas (Pecuária e Cultivos
Extensivos).
O
principal objetivo do EUREPGAP é reduzir os riscos ligados
ao consumo do alimento, assegurando a qualidade e a inocuidade deste
alimento na produção primária. As etapas de processamento do
alimento não são atingidas pelo EUREPGAP.
Além
disso, o Protocolo EUREPGAP é baseado em um sistema de gestão
focado na Melhoria Contínua, que estimula o produtor rural a
aprimorar o seu sistema de gestão e produção.
Os
princípios do programa EUREPGAP estão baseados nos
seguintes conceitos: Segurança do Alimento, Saúde, Segurança e
Bem-Estar no Trabalho, Proteção do Meio Ambiente, bem-estar dos
Animais.
Os
produtores, para demonstrar seu compromisso, devem ser capazes de:
- Manter a
confiança dos consumidores na qualidade e segurança do
alimento.
- Minimizar o
impacto ao Meio Ambiente, conservando a natureza e a vida
silvestre.
- Reduzir o uso de
agrotóxicos.
- Melhorar a
eficiência no uso dos recursos naturais.
- Assegurar a
responsabilidade e atitudes para a segurança e saúde dos
trabalhadores.
O
Protocolo EUROGAP de Frutas, Legumes e Verduras é utilizado para
produção de alimentos frescos incluindo todo o processo: desde a
escolha da variedade até o empacotamento. Não é aplicável ao
processamento de produtos.
Os
módulos que são contemplados nos documentos a serem acompanhados e
verificados são: Rastreabilidade, Manutenção de Registros e Auto
Avaliação Interna, Variedades e Porta – Enxertos, Histórico e
Gestão da Unidade de Produção, Manejo do Solo e Substrato, Uso de
Fertilizantes, Irrigação, Proteção de Culturas, Colheita,
Acondicionamento do Produto, Gestão de Resíduos e Poluentes,
Reciclagem e Reutilização, Saúde, Segurança e Bem – Estar dos
Trabalhadores, Questões Ambientais, Reclamações.
Cada
módulo contém Pontos de Controle e Critérios de Cumprimento que
tem que ser considerados pelo Produtor ou Organização de
Produtores solicitante e que são auditados para verificar o
cumprimento. Os níveis de cumprimento de cada ponto de controle,
possuem níveis exigências que podem ser Obrigações Maiores,
Obrigações Menores ou Recomendados.
Os
produtores podem obter a certificação EUROGAP individualmente,
grupo ou equivalência que é quando o produtor já possui outra
tipo de certificação, este é avaliado através de comparação de
conteúdo e critérios de cumprimento.
A
concessão de certificado é condicionada ao cumprimento pelo
produtor/Organização de Produtores requerente de todas as
exigências aplicáveis da norma e a validade é de um ano.
2.1.2.
Certificação
Produção Integrada de Frutas – PIF;
Dra.
Nívea Maria Vicentini – Engenheira Agrônoma - TECPAR
A
certificação da Produção Integrada de Frutas é de adesão
voluntária, possui regulamento que estabelece roteiro para
avaliação da conformidade e as condições físicas/ jurídicas
para ingressar e participar do processo.
Para
ingressar na Produção Integrada de Frutas (PIF) é necessário que
o produtor ou empacotadora execute os pré-requisitos exigidos:
- Cumprir período
de carência para adequação aos preceitos e requisitos
exigidos pela PIF e contidos na Instrução Normativa n.º 20 e
Portarias Técnicas Específicas.
- Período de
carência é de 01 (um) ciclo agrícola e deverá ser comprovado
através de documento declaratório.
- Ter um
profissional da área agrícola, habilitado pelo CREA,
capacitado em PIF, responsável: pela assistência técnica,
pelo acompanhamento de todo o processo produtivo, por todas as
informações solicitadas, por todas as questões oriundas da
realização das auditorias.
O
processo de avaliação da conformidade está dividido em 5 etapas:
Etapa
1 - Solicitação de Informações
O
produtor ou a empacotadora escolhe a certificadora de sua
preferência, responde o questionário que será utilizado como base
para realizar a proposta comercial, esta é colocada para
apreciação do solicitante.
Etapa
2 - Solicitação adesão e Cadastro no Cadastro Nacional de
Produtores e Empacotadora (CNPE)
Aprovada
a proposta comercial produtor/empacotadora deverá formalizar, junto
a certificadora, a solicitação de adesão espontânea ao sistema
de Avaliação da Conformidade da Produção Integrada Frutas por
meio de Formulário de Solicitação de Adesão, preenchido antes do
início do ciclo vegetativo anual.
Etapa
3 – Auditoria
Análise
da Solicitação
A
certificadora fará a análise da solicitação e da documentação,
num prazo de 30 (trinta) dias, dando ciência ao interessado das
providências que deverão ser desenvolvidas posteriormente.
Caso
haja não conformidade o solicitante deverá ser comunicado
formalmente e terá um prazo de 30 dias para a realização das
ações corretivas.
Caso
inexista não conformidade, a certificadora deverá agendar a
Auditoria Inicial, em comum acordo com o solicitante.
Auditoria
Inicial
A
avaliação do interessado deverá ser feita por meio da aplicação
de uma lista de Verificação contida no documento das Normas
Técnicas Específicas do produto, preenchido pela equipe auditora
destinada pela certificadora. É verificado o caderno de
campo/pós-colheita, entrevista responsável técnico e visita ao
campo.
No
caso de adesão de pequenos produtores (voluntária e individual),
os mesmos poderão estar vinculados a uma instituição associativa,
empresa integradora, fomentadora ou qualquer tipo de associação
que preste apoio na organização, produção, comercialização,
assistência técnica, administrativa e financeira desses
produtores, fazendo com que seja viabilizada a participação.
A
avaliação de ingresso para pequenos produtores, que estiverem
vinculados à uma instituição associativista, empresa integradora,
fomentadora ou qualquer tipo de associação, deverá ser de 100%.
O
acompanhamento dos pequenos produtores acontecerá por meio de um
rodízio, ou seja, a cada ano de vigência do contrato de 03 (três)
ciclos, a certificadora auditará uma etapa do ciclo de cada
produtor, sendo coberto por todo ciclo agrícola, no período
contratual.
É
levantada as não conformidades, para que o produtor execute as
ações corretivas se necessárias para a adequação.
Ao
término da auditoria é elaborado o Relatório de Auditoria
Inicial, em 02 vias, cumpridas todas as exigências Regulamento de
Avaliação da Conformidade, a Certificadora deverá apresentar o
relatório de auditoria à Comissão de Avaliação da Conformidade
da Certificadora para análise e parecer.
Etapa
4 - Decisão da Certificação
Encaminhado
à Comissão de Avaliação da Conformidade da Produção Integrada
de Frutas que analisa e decide sobre a concessão ou não da
certificação.
Aprovada
a concessão é assinado um contrato por 3 anos e emitido um
atestado para o campo que é renovado anualmente.
Etapa
5 - Concessão da Marca de Conformidade
Com
a concessão é permitido a licença para uso da marca de
conformidade (selo da produção integrada) para
empacotadora/indústria por 3 anos.
Atualmente
a Produção integrada de Frutas tem 15 normas técnicas aprovadas e
3 em fase final.
Etapa
6 - Manutenção da Certificação
A
manutenção da certificação é realizada através de auditorias
de acompanhamento anual à campo e na empacotadora.
Para
manutenção da certificação concedida é realizado um
acompanhamento anual a campo com auditoria de colheita (coleta de
amostras para análises) e no processo da empacotadora.
2.2 Programar
e Diversificar a Propriedade Rural – É a Saída;
Maurício
Valenga – Presidente do Sindicato Rural de São José dos Pinhais
Apresentou
que é possível realizar anotações dos gastos e vendas da
produção para planejamento e tomada de decisão nas atividades
desenvolvidas na propriedade rural, utilizando como ferramenta
caderno e caneta.
O
trabalho é realizado diariamente e contribui para planejar o que
produzir e os insumos necessários, estimando a lucratividade e o
risco das atividades implantadas. Com o resultado das anotações
toma decisão das hortaliças que vai produzir.
Para
a sua manutenção na atividade e renda utiliza também
diversificação de atividades que além da produção de
hortaliças contempla os seguintes cultivos:
Curto
prazo:
planta chuchu na beira do mato, vales e em locais acidentados sem a
utilização de defensivos e manejo.
Médio
prazo:
caqui, araçá, gabirova, pêssego e ameixa amarela.
Longo
prazo:
araucária, Pinnus illiotis, erva mate e bracatinga.
Sua
produção é comercializada na CEASA e na feira do município.
Tem
alguns princípios que segue para ter sucesso na atividade:
- Realiza uma
estimativa do que vai vender e para quem vender antes de
plantar, no mínimo 60 % da produção já está com a venda
garantida.
- Utiliza
agrotóxicos somente com recomendação técnica.
- Trabalhar em
conjunto com a família (esposa e filhos).
2.3 Andamentos
das ações em Citricultura
Maurílio
Soares Gomes- Engenheiro Agrônomo – EMATER-PR
Nos
últimos anos, o crescimento da produção estadual de laranja tem
sido significativo, passando de 127 mil toneladas (1995) para 332
mil toneladas (2003).
Com
objetivo de fomentar o desenvolvimento da citricultura no Paraná
está sendo implantado o projeto de produção de laranja para fins
indústriais visando a implantação de 4 mil ha no período de 3
anos, na região de Cornélio- Procópio.
O
Projeto é uma parceira entre EMATER, SEAB, Sindicatos Rurais, SENAR,
Cooperativa Corol, Associação dos Municípios do Norte Pioneiro e
Banco do Brasil e objetiva proporcionar alternativas para
diversificação das áreas de grãos. O ponto importante reside no
fato de gerar um aumento de até 3 vezes a renda do produtor,
contribuindo para minimizar os problemas causados pela seca na
região e o aproveitamento da mão-de-obra dos trabalhadores rurais
que saem da colheita de café e da cana-de-açúcar.
Com
relação à Produção Integrada de Citrus (PIC) o projeto está
aprovado pelo Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento
(MAPA) mas aguarda liberação de recursos.
As
capacitações estão sendo realizadas com os recursos da própria
comissão. As atividades que estão sendo desenvolvidas são:
- Levantamento da
situação atual de produção convencional em relação à
produção integrada;
- Formulação de
estratégias para Paraná em relação ao "Greenigs",
doença que está entrando em São Paulo e leva rapidamente a
planta à morte.
- Implantação das
cadernetas de campo nas unidades pilotos; e
- Levantamento de
defensivos disponíveis e necessários.
Existem
5 unidades pilotos instaladas, distribuídas nos municípios de
Maringá, Rolândia, Paranavaí, Nova América da Colina e mais 5
produtores neste município que adotaram as técnicas
voluntariamente.
2.4 Planejamento
da Comissão Técnica de Hortifruticultura 2006.
A
próxima reunião deverá ocorrer em abril de 2006 no município de
Londrina, local a definir.
Sugestões
de Pautas para serem discutidas: Registro de Agrotóxicos,
Devolução de Embalagens de Agrotóxicos, Fruticultura orgânica.
2.5
Visita na Fazenda Limeira (Grupo Tomita Itimura)
- Packing
House.
O
administrador Marco Antônio Machado, apresentou as instalações e
os trabalhos realizados no Packing house em classificação,
embalamento e rotulagem dos produtos, procedimentos que seguem às
exigências do cliente e contribuem para manutenção do mercado.
Para
adequar-se as exigências das Normas de EUROGAP, esta realizando
adaptações nas instalações e trabalhos em conjunto com os
funcionários:
- Conservando as
áreas em torno do "packing house" livre de lixo,
frutos descartados, embalagens de defensivos e plantas daninhas;
- Limpa diariamente
todas as dependências de circulação de pessoas, bem como
utensílios, ferramentas, mesas etc.;
- Orienta e
supervisiona os funcionários para que estes trabalhem com
cabelos presos e protegidos por toucas ou bonés e roupas
limpas;
- Mantém as
instalações sanitárias limpas, ventiladas, iluminadas, com
suas portas sempre fechadas e voltadas para o exterior do "packing
- house".
|