Brasília/DF - Representantes da cadeia
produtiva da banana e do Ministério da Agricultura reúnem-se no
dia 23 em Brasília para estudar o envio de pedido formal para que a
Organização Mundial do Comércio (OMC) avalie a proposta da União
Européia - a ser implantada em janeiro de 2006 - de substituir o
sistema de cotas importação da fruta por uma tarifa de 230 euros
por tonelada importada de regiões que não incluem as antigas
colônias européias na África, Caribe e Pacifico (ACPs). Os
países exportadores têm até 31 de março para fazer o pedido.
Colômbia, Costa Rica, Equador, Guatemala, Honduras e Panamá
mostraram interesse.
Ontem, William Feeney, chefe da empresa americana
Dole Food na Europa, disse que a UE já estuda reduzir pela metade a
nova tarifa. O bloco é o maior importador mundial da fruta, com
compra de 3,4 milhões de toneladas por ano. Cerca de 80% do total
é abastecido por países latino-americanos, que atualmente pagam 75
euros por tonelada sobre os primeiros 2,9 milhões de toneladas e
680 euros por tonelada acima dessa cota. Os países ACPs,
responsáveis por 20% das compras européias, exportam até 750 mil
toneladas por ano sem tarifas e seguirão isentos, mas sem cotas
restritivas a partir de 2006.
Feeney observou que produtores africanos, por
exemplo, já atingiram o limite de produção e não poderão suprir
parte do mercado atendido hoje pelos latinos. Fonte de uma empresa
exportadora no Brasil confirmou que a UE acenou com a queda da
tarifa, mas disse que não há acordo fechado. Segundo a fonte,
mesmo a queda da tarifa em 50%, para 115 euros por tonelada,
dificulta as vendas do Brasil, já que a banana é enviada à UE a
257 euros, em média, e a tarifa elevaria o preço da fruta em quase
45%.
Em 2004, as exportações brasileiras
movimentaram US$ 14,935 milhões e 55% do total refere-se a vendas
à União Européia, que no ano passado cresceram 3,2%. Praticamente
toda a exportação é feita pela subsidiária da americana Del
Monte, instalada no Rio Grande do Norte.