O crescimento da produção
de frutas, segmento que precisa avançar a cada dia em quantidade e
qualidade para atender as demandas do mercado interno e externo, só
será possível com a utilização de tecnologias capazes de
garantir o melhor desempenho dos cultivos, de forma sustentável.
Nesse contexto, a irrigação surge como aliada importante. Embora
seu custo seja elevado, principalmente na fase de instalação, o
retorno que pode proporcionar é compensador.
Como em outras culturas perenes, entre elas café, coco, graviola
e banana, a irrigação faz a diferença também em pomares de
citros (laranja, tangerina e limão). O pomar que recebe água
durante a seca, nos períodos adequados conforme as exigências do
ciclo da planta, torna-se mais produtivo (com cargas melhores), os
frutos apresentam melhor uniformidade e, o que é mais importante,
favorece a colheita em períodos de entressafra, quando o preço é
melhor.
É com essa visão que os citricultores de Goiás estão
começando a apostar na irrigação, adotando a tecnologia tanto em
pomares em produção quanto em novos plantios. A área plantada com
citros é de aproximadamente 10 mil hectares. Por enquanto, a maior
parte ainda é cultivada em sequeiro, isto é, sem irrigação, mas
há quem esteja investindo nesse sistema e obtendo bons resultados.
Processo avança
Calcula-se que a produção irrigada ocupe área de pouco mais de
400 hectares, em diversas regiões do Estado. O problema é que não
há trabalhos específicos de pesquisa sobre a produção irrigada,
o que significa ausência de indicações técnicas de plantio nesse
sistema. Mesmo assim, a técnica avança. Os irrigantes de citros
implantam sistemas quase que por iniciativa própria e vão eles
mesmos aprendendo a lidar com o processo.
O produtor de laranja Paulo Roberto Majewski, proprietário das
Fazendas Sítio do Campo e Maria Alves, em Itaberaí, e da Fazenda
Lapinha, município de Goiás, é um dos pioneiros da citricultura
irrigada no Estado. "Comecei com a irrigação há 14 anos,
quando ninguém sabia nada. Nem eu. De lá para cá aprendi muito e
estou aprendendo, mas os resultados são positivos", afirma o
produtor que, atualmente irriga 129 hectares com dois pivôs
centrais. Paulo Roberto adverte, porém, que o investimento inicial
é alto e o retorno demorado.
O produtor explica que, ao contrário de outras culturas, que
exigem irrigação durante todo o período seco, a citricultura tem
ciclos e exigências hídricas em momentos distintos. Ele explica
que a irrigação entra no processo produtivo muito mais como
complemento da época da chuva, principalmente com o objetivo de
segurar floradas ou mesmo antecipar a colheita.
Sem irrigação, o pomar precisa de 12 meses para produzir. Em
geral, floresce em outubro e novembro e a colheita ocorre 12 meses
depois. Com a irrigação, a safra pode ser feita com 10 a 11 meses,
antecipando a colheita. Além disso, se houver manejo correto, o
pomar pode produzir quase o ano todo, com colheitas em épocas
diferenciadas. Outra vantagem da irrigação é a melhoria do
aspecto dos frutos, mais uniformes e pesados.
Outra experiência de irrigação em citros é na Fazenda São
Pedro, em Inhumas, do produtor Roberto Balestra. Segundo Teresa
Jácomo Balestra, responsável pelo acompanhamento dos pomares, são
52,2 hectares com 15 mil plantas em fase de produção. O maior
problema, no entanto, é a falta de pesquisas com indicações sobre
uso adequado da tecnologia. "As pessoas devem ter muito cuidado
com irrigação em citros. Não basta apenas molhar as plantas. Se
houver erro no momento da irrigação, o prejuízo pode ser
maior", argumenta Teresa. Ela diz que ainda está na fase de
aprendizado e que novos investimentos só serão feitos após melhor
avaliação técnica e econômica do processo.
Em Nerópolis, o produtor Paulo Roberto do Carmo, proprietário
da Fazenda São Judas Tadeu é outro irrigante de citros. São 100
hectares de tangerina ponkan, que deve entrar em produção em 2006.