Até meados deste ano, cerca de 12% já terão o
certificado EuropGap em suas mãos.
Para receber a certificação, é preciso cumprir
uma série de normas e procedimentos de "Boas Práticas
Agropecuárias", cuja sigla em inglês é GAP, surgindo daí o
nome EurepGap. O objetivo é qualificar a propriedade conforme os
aspectos de produção, meio ambiente, bem-estar animal, segurança
alimentar, análises de riscos, manejo, gestão e responsabilidade
social. No Brasil, a certificadora é a OIA (Organización
Internacional Agropecuaria).
O projeto conseguiu mudanças importantes no
manejo e na forma de gerenciar a produção, diz o engenheiro
agrônomo da OIA, Edegar de Oliveira Rosa. A principal mudança foi
a utilização controlada de defensivos agrícolas. "Alguns
produtores utilizavam até quatro vezes mais produtos químicos do
que o necessário em suas frutas. Com três meses do projeto e a
diminuição dos defensivos, alguns chegaram a economizar R$ 2
mil", diz Rosa.
O uso controlado dos herbicidas e pesticidas
provocou também uma melhoria na aparência das frutas, que passaram
a ter uma textura mais firme e cores mais brilhantes.
Os fruticultores estão espalhados por 14
municípios da região e, na maioria, são agricultores familiares,
com áreas de até 30 hectares. Nos últimos dez meses, eles foram
submetidos a treinamento, que incluiu palestras e atividades
práticas sobre o uso seguro de agroquímicos, segurança no
trabalho, higiene na colheita e pós-colheita, meio ambiente e
qualidade da água.
Mudanças - Outra prática muito usada pelos
pequenos agricultores era a reutilização das embalagens de
agrotóxicos na colheita dos produtos, diz o agrônomo. A prática
é reafirmada pelo presidente da Associação dos Produtores de
Juqueirópolis, Oswaldo Dias. "A colheita nas lavouras de
acerola era feita com tambores de óleo diesel ou graxa. Não havia
a preocupação com a contaminação química".
Depois do treinamento para a certificação, os
produtores naquela região passaram a comprar tambores de plástico,
que são utilizados somente nas colheitas. O armazenamento da
acerola era um outro problema dos produtores. Muitos colhiam a fruta
pela manhã e deixavam no sol durante todo o dia, só recolhendo à
noite. "Os tambores agora não ficam mais em contato com o solo
e são colocados em locais frescos".
Para Dias, com a divulgação de que os
produtores de acerola na região estavam buscando a certificação
houve um aumento de cerca de 20% na procura do produto. A
Associação possui hoje 74 pequenos produtores. A venda da próxima
safra está praticamente toda garantida. Na safra 2003/2004
(setembro a maio), foram produzidas 2.300 toneladas da fruta. Na
próxima, a produção deverá aumentar em 20%.
"Não temos outra saída a não ser buscar a
certificação. O mercado nacional não quer mais produtos sem
qualidade e sem certificados. A exigência interna é ainda maior do
que a internacional".
Exportação - O processo de certificação
também está beneficiando os produtores de uva da região. Alguns
empresários fizeram contatos com empresas portuguesas e devem
fechar contratos para a próxima safra, diz a gestora do projeto de
fruticultura do Sebrae em São Paulo, Mariza Sminka Tarumoto.
Por enquanto as negociações ainda estão no
início, mas Mariza acredita que a certificação dos produtos é um
dos fatores para o interesse dos europeus nas uvas da região. Os
fruticultores já adotam o Selo PIF (Produção Integrada de Fruta),
do Ministério da Agricultura, que prevê normas também exigidas
pelas certificadoras, como cuidado com o solo e controle biológico
de pragas e doenças.
Na região existem 180 produtores de uva, que
produzem anualmente cerca de 6.500 toneladas da fruta.