Porto de Paranaguá pode
para se não for dragado

O Porto de Paranaguá poderá tornar-se inviável economicamente dentro de um ano se as obras de dragagem do canal que lhe dá acesso, paralisadas desde 2005, não forem reiniciadas. Esta é a posição do diretor de Portos e Costas da Marinha, almirante Gerson Carvalho Ravanelli, conforme matéria publicada na edição do dia 13 de junho no jornal O Estado do Paraná .

A dragagem é a retirada de areia, lodo, lixo e entulho do fundo dos rios ou do mar. Para Ravanelli, o canal é, atualmente, um risco à navegação, em razão da redução 

de sua profundidade e largura, causada pelo assoreamento. Por esse motivo, segundo ele, a Capitania dos Portos do Paraná expediu portaria para restringir as manobras de navios de calado (parte da embarcação que fica dentro da água) entre 11 e 12,5 metros. O almirante afirmou que há trechos do canal com largura de 150 metros. O que ele considera estreito.

O almirante participou da audiência pública promovida pela Comissão de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural para debater as medidas tomadas para solucionar irregularidades no Porto de Paranaguá e a situação dos outros portos brasileiros.

O presidente da Associação Brasileira de Terminais Portuários (ABPT), Wilen Mantelli, defendeu a intervenção federal no porto paranaense para assegurar a prestação dos serviços. "O País está perdendo com a atual situação", destacou. Segundo ele, em razão da diminuição da profundidade e da largura do canal de acesso, cada vez mais reduz-se o tamanho das embarcações que podem nele aportar.

O deputado federal Eduardo Sciarra, autor do requerimento para realização da audiência, criticou a administração do porto, observando que o problema não está restrito à falta de dragagem do canal de acesso ao porto. Segundo ele, faltam investimentos no cais, apesar dos R$ 250 milhões que estariam em caixa. O parlamentar também destacou que Paranaguá perdeu carga de grãos para outros portos.

Já o diretor-geral da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq), Fernando Fialho, rebateu as críticas, sustentando que a maioria dos portos brasileiros tem problemas de dragagem, e não apenas o Porto de Paranaguá. Para ele, houve melhorias no porto nos últimos três anos, como reforma do armazém, remodelação do pátio de triagem e melhorias na iluminação.

O conselheiro da Associação Brasileira de Exportadores (AEB), Luiz Antonio Fayet, criticou o pedido de aumento de tarifas feito pela administração do Porto de Paranaguá. Segundo ele, não é necessário aumentar a tarifa, porque o porto tem R$ 250 milhões em caixa.

No mês de abril, o Tribunal de Contas da União (TCU) chegou a estabelecer um prazo para que o superintendente da Administração dos Portos de Paranaguá e Antonina (Appa), Eduardo Requião, apresentasse sua defesa à denúncia de falhas no gerenciamento do Porto de Paranaguá feita pela Comissão de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural da Câmara dos Deputados, que pediu também a intervenção federal e uma fiscalização complementar no porto paranaense.

No mês de maio, a Comissão Mista para o Controle Social do Complexo Portuário, formada pelo Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia do Paraná (Crea-PR), apresentou um pré-relatório sobre a situação do Porto de Paranaguá do ponto de vista técnico-operacional.

O documento, elaborado nos últimos dois meses, evidencia uma série de deficiências, dentre elas a defasagem de infra-estrutura. O objetivo dos especialistas era alertar governo e sociedade para a situação atual do porto e do complexo de transporte paranaense.

Para os especialistas, o porto pode ter um futuro sombrio por não atender a certas condições técnicas de operacionalidade. Segundo eles, grandes operadores de carga e armadores devem procurar outros portos brasileiros para embarque e desembarque de suas mercadorias.


Boletim Informativo nº 961, semana de 18 a 24 de junho de 2007
FAEP - Federação da Agricultura do Estado do Paraná

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