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Agrinho: dez anos
formando alunos Patrícia Lupion Torres* |
No Programa AGRINHO a superação da defasagem entre teoria e prática é o eixo fundamental de todas as iniciativas empreendidas, desde a da produção dos materiais até a da capacitação dos docentes e a do acompanhamento das atividades, por eles e por seus alunos, desenvolvidas. E assim o Programa AGRINHO foi concebido em 1995 com o objetivo de preparar a criança e o jovem de hoje, a fim de ter amanhã um adulto responsável. A proposta pedagógica do Programa AGRINHO está baseada nas seguintes premissas, prescrições e princípios teóricos: na concepção dos temas transversais e na Pedagogia da Pesquisa. O primeiro pressuposto teórico é o da transversalidade que está proposta no ideário educacional oficial, expressa nos PCNs - Parâmetros Curriculares Nacionais, que pretendem orientar a ação educacional em todo o território nacional, respeitando as diversidades culturais regionais e a autonomia administrativa das redes escolares. Destaca-se aqui que a operacionalização dos temas transversais constitui, ainda hoje, um dos principais desafios da orientação dos currículos escolares brasileiros. A escola precisa ser formada para o trabalho com os temas transversais e com a interdisciplinaridade, contudo numa abordagem rigorosa que não acate soluções simplistas como a da integração de conteúdos ou a da eleição de temas centrais ou ainda como a da simples menção dos referidos temas em aulas de disciplinas e matérias específicas. O Segundo elemento da proposta teórica em que se sustenta o AGRINHO é o da Pedagogia da Pesquisa que se constitui em método de educação, uma vez que se ocupa tanto das finalidades que se tenha para com ela, quanto dos caminhos que possamos escolher para chegarmos aos fins estabelecidos. Em outras palavras uma pedagogia que se ocupa, principalmente, da superação da defasagem entre teoria e prática e que é, conseqüentemente, interdisciplinar pois supera a visão fragmentada que ainda mantemos delas. No presente momento histórico não podemos mais admitir relações de precedência entre as mesmas. A prática subsidia-se na teoria. A teoria é retirada de situações reais, práticas. Perceber tal imbricação é desenvolver a atitude interdisciplinar, conforme aqui vem concebida, e corresponde ao exercício da transversalidade. Em outras palavras não há distanciamento entre teoria e prática. O que ocorre é que, muitas vezes, escolhemos um discurso teórico que não condiz com nossa prática. Ora, se pretendemos uma educação crítica, criativa, se pretendemos a formação de alunos autônomos, inventivos, transformadores, não podemos permanecer em caminhos que se satisfaçam com a mera transmissão de conhecimentos, realizada pelo professor, para ser reproduzida pelos alunos numa situação de avaliação pontual. O descontentamento generalizado para com a escola que temos, as muitas críticas à qualidade do ensino e da educação que ela oferece, já constitui senso comum, em nossa sociedade. Parece-nos sem sentido continuarmos criticando a escola sem nos preocuparmos, concomitantemente, em propor alternativas práticas para a solução do impasse. É certo que as pesquisas e as formulações teóricas que têm sido produzidas na atualidade vêm representando um significativo avanço no que tange às finalidades, concepções, funções tanto da escola, quanto do processo de educação adequados para os tempos atuais. Contudo, ainda incipientes têm sido os estudos, as iniciativas, as propostas e as sugestões práticas que orientem professores e educadores sobre um fazer cotidiano coerente com às teorias já desenvolvidas. A Pedagogia da Pesquisa vem para superar esse e outros impasses por que passa a escola atual e para nos alertar que, em situações de defasagem entre uma e outra, ou bem mudamos o nosso discurso, ou assumimos a necessidade e tomamos iniciativas para mudar nossa prática. Dessa forma fica evidente a perfeita correlação entre teoria e prática. Importante é que aqui se diga que a proposta apresentada no Programa Agrinho aborda, propõe, sugere sem, jamais, se constituir em modelo ou receita a procedimentos práticos a serem desenvolvidos, pela escola, para se chegar aos propósitos teóricos ou à finalidade que se tem para com uma educação crítica, criativa, que desenvolva a autonomia de professores e de alunos, a inventividade dos mesmos, sua capacidade de assumirem-se enquanto sujeitos fazedores da História dos dias atuais e, também, sujeitos pesquisadores capazes de produzir novos conhecimentos. *Patrícia
Lupion Torres |
Boletim Informativo nº
892, semana de 5 a 11 de dezembro de 2005 | VOLTAR |