Aspectos importantes para o mercado | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Programa Produção Paranaense
de
I. Introdução
Se
por um lado o aumento do volume é motivo de orgulho, o mesmo não dá
para afirmar quanto aos preços recebidos pelo produto exportado. O
fato é que o Brasil aumentou a exportação para países que pagam
menos pela carne bovina, o que faz cair os preços médios
internacionais recebidos. Além da expansão apenas para praças menos exigentes, ainda registra-se a dificuldade de aumentar a exportação para mercados que remunerem melhor o produto, em função das barreiras tarifárias impostas ao Brasil, resultado de más negociações feitas no passado, com cotas baixas de exportação que tornaram-se objeto das tentativas atuais de mudança.
Especialistas apontam que a conquista de mercados atraentes se dá
para um produto competitivo não
As diferenças de preços e do quanto o Brasil deixa de ganhar estão no gráfico publicado pela Revista DBO edição Nov/2003, que demonstra os diferentes preços recebidos na venda de contra - filé pelo Brasil, Argentina e Estados Unidos aos mercados europeu e japonês. Ter acesso a mercados mais exigentes que pagam preços melhores é um desafio a ser vencido.
II. O destino da carne brasileira e a importância do mercado europeu A seguir o quadro dos principais destinos, os volumes e os preços recebidos pelo Brasil em 2004, com dados da ABIEC.
COMPARATIVO DE PREÇOS DA CARNE DA EUROPA/OUTRO PAÍSES
III. A demanda genérica do mercado europeu
Com relação à gordura, este parâmetro varia de país para país, entre 3 a 10 mm. A Inglaterra, por exemplo, consome mais carne de cobertura com cerca de 3mm. A Alemanha já prefere uma capa de 1,0 a 1,5 mm, enquanto na Itália, quando a carne é destinada para a indústria, a escolha é por coxão mole sem capa de gordura. Em resumo, o ideal para o mercado é o animal sadio, jovem, de boa conformação e bom acabamento. Quanto aos cortes, a preferência da Europa é por traseiro (filé mignon, alcatra e contra filé) com peças grandes, como contrafilé acima de 4,5 kg e ponta de contrafilé com peso acima de 1,8kg. Já para a indústria as escolhas são coxão duro, coxão mole e lagarto.
IV. Outras demandas
Neste cenário de extrema competição, o produtor brasileiro precisa de muito profissionalismo e seriedade para se fazer presente no mercado, dedicando-se com afinco para atender as seguintes demandas: Rastreabilidade A rastreabilidade - por animal e não por lote, com a identificação do animal ao nascer e com todo o seu histórico -, é uma exigência cada vez maior do consumidor e precisa ser entendida pelo criador como um instrumento de gestão e não como um empecilho; Sanidade A Sanidade é fundamental para a permanência nos diversos mercados do mundo seja na conquista de novos mercados seja na manutenção dos atuais. A questão sanidade é vital não só para a carne bovina, mas também para a suína, de aves e ovina entre outras. Este deve ser um item obrigatório em todas as atividades agropecuárias daqui por diante. Viabilidade econômica
Por outro lado, o produtor brasileiro há muito produz sem subsídios. Se de um lado isto dificulta-lhe a vida, por outro constituiu incentivo à criatividade e ao fortalecimento da competitividade. Países como a Espanha já denotam que os subsídios praticados pela União Européia estão enfraquecendo a competitividade de seus produtores. Preservação ambiental É um item cada vez mais observado e cobrado, a exigir adequações importantes sob pena de servir de pretexto para impedir a importação do produto nacional ou baixar os preços. Justiça social Cresce cada dia mais a preocupação mundial com aspectos relacionados a direitos trabalhistas e combate ao trabalho infantil e trabalho escravo. Bem-estar animal Promovidas por ONGs ambientalistas, as campanhas cobrando o bem - estar animal passam a ser cada vez mais intensas. O manejo adequado deve ser desenvolvido tanto para benefício e qualidade de vida dos animais quanto para a manutenção da qualidade da carne produzida. Este item precisa ser discutido além do produtores por trabalhadores rurais, transportadores e funcionários dos frigoríficos.
V. Dificuldades a serem superadas pelo Brasil Além dos aspectos já citados, outros se somam aos fatores que dificultam o maior avanço da carne bovina nos mercados interno e externo, podendo ser citados: 1. A complexidade do mercado X desarticulação do produtor:
De um lado, temos frigoríficos em menor número, que investiram muito nos últimos anos em gestão, plantas mais modernas, prospeção de mercados, investimento em marketing e planejamento estratégico. De outro lado estão os produtores, totalmente dispersos, muito resistentes a mudanças, totalmente desarticulados e fragilizados. Uma estrutura frigorífica tem um custo altíssimo, além de necessitar de mão-de-obra qualificada, exigir matéria prima de qualidade e volume constante, de acordo com seu dimensionamento, grande consumo de água e rígido controle dos seus dejetos. É praticamente impossível para o produtor atingir o mesmo nível, saindo de sua atividade principal (produção) para passar a assumir a industrialização de maneira individual. A saída é a melhor organização do produtor através de cooperativas, associações ou alianças, e da produção, em volume e qualidade, para que possa se estabelecer o equilíbrio nas negociações na hora da comercialização do seu produto. 2. Barreiras internas
É preciso urgentemente uma mudança cultural em todos os elos da cadeia produtiva. Um avanço, que deve começar pelo produtor, hoje o elo mais fraco desta cadeia. 3. Complexidade da atividade Para ser competitiva, a bovinocultura de corte exige investimentos, tecnologia, gestão, mão-de-obra qualificada, informação e, acima de tudo, planejamento. Porém, até pouco tempo atrás, era explorada quase na sua totalidade de maneira extensiva. Uma nova geração está surgindo, na expectativa que consiga superar a atual situação.
Curitiba, outubro
de 2005 |
Boletim Informativo nº
884, semana de 10 de 16 de outubro de 2005 | VOLTAR |