Programa Agrinho - dez anos: Saúde, meio ambiente, cidadania
O Agrinho é um programa alegre que trabalha os temas transversais com crianças e adolescentes regularmente matriculados no ensino fundamental. Na conclusão, são promovidos concursos de redação e desenho, que há 10 anos premiam professores e alunos em todos os quadrantes do Estado. Nos últimos anos, o programa passou a premiar também os municípios que se destacam na participação, apoio e incentivo para a realização dos projetos de conclusão, idealizados em sala de aula por esPara a professora e doutora em Mídia e Conhecimento, Patrícia Lupion Torres, coordenadora do programa desde sua implantação em 1995, é preciso destacar os diferenciais do Agrinho em relação a outros projetos do setor. “É um dos poucos que passou uma década dentro da escola e continua mostrando resultados positivos de adesão dos professores”, diz. Por tratar-se de um programa não governamental, o Agrinho surpreende também pelo fato de ter atravessado praticamente invicto a três mandatos de Governo de Estado e quase quatro de prefeitos. “Isto é muito difícil” ressalta Patrícia, lembrando que são raras as propostas que não mudam e permanecem por tanto tempo com aceitação plena, como tem sido o Agrinho. Desde o início a proposta é voltada à criança e ao jovem que se encontram na escola. Têm a ver com a sobrevivência e o desenvolvimento do meio rural. “O trabalho está voltado para a análise das informações, o uso da tecnologia, para o desenvolvimento da ação solidária, para a criação de uma cultura que valoriza a convivência social e ambiental dentro de padrões éticos que devem refletir a melhor condição humana”, explica Ágide Meneguette, presidente do Sistema FAEP e Senar Paraná. Alerta - Centrado na saúde do trabalhador e de sua família, o Agrinho surgiu como uma iniciativa destinada a orientar os estudantes da área rural, futuros produtores rurais e conscientizá-los de suas responsabilidades sociais, de cidadania e em relação ao meio- ambiente. “O sinal mais contundente da necessidade de interferir nessa realidade era proporcionada pelas estatísticas sanitárias da época”, aponta Patrícia Lupion Torres.
Criado pelo Senar Paraná em 1995, o Agrinho foi concebido para ensinar crianças a evitarem intoxicação com agrotóxicos e a contaminação do meio ambiente, com ênfase na proibição legal de menores de idade manusearem os agroquímicos. Prêmio mudou a vida do estudante Marcelo Gomes da Costa tinha pouco mais de 13 anos em 1998 quando seu poema “A Adolescência” foi selecionado para o concurso Agrinho. Estudava na 7ª série do ensino fundamental do Colégio Estadual Ubaldino do Amaral, em Santo Antônio da Platina. Ganhou o prêmio de melhor do Estado no tema Saúde Jovem, escrevendo sobre a sexualidade na adolescência. De prêmios ganhou um computador e uma televisão, recebidos durante a festa de encerramento anual do programa, em Curitiba. A volta para a casa, em Santo Antônio da Platina, foi seguida de acontecimentos com que ele apenas sonhava. Filho único, criou-se com os pais trabalhando duro noite e dia para que ele pudesse estudar e formar-se. Cursou a 8ª série, completando o ensino fundamental. Ganhou uma viagem para Porto Seguro (Bahia) e uma bolsa de estudos para estudar no colégio particular Casucha, em que cursou os três anos seguintes. Completou o ensino médio e começou a trabalhar. “Como minha vida mudou para melhor”, conta hoje aos 20 anos. “O Agrinho foi muito importante, me ensinou, me deu oportunidade de estudar mais e conhecer gente nova”. Marcelo trabalha em uma empresa de cópias e está tentando vestibular para o curso de Direito na faculdade de Jacarezinho. Conhecido de milhões de pessoas no campo
Uma trajetória brilhante vem sendo a dessa proposta surgida em 1995 e implantada em 1996. De projeto piloto iniciado em escolas públicas de 9 Municípios, o Agrinho projetou-se para as atuais 398 das 399 cidades do Paraná. O número de crianças e adolescentes orientados por seu intermédio já ultrapassou as 3,5 milhões de jovens. Só para 2005, a expectativa é da participação de mais 1,5 milhão de estudantes e 75 mil professores de estabelecimentos do sistema oficial de ensino fundamental e de ensino especial no Estado. O programa já ultrapassou as divisas do Paraná e encontra-se em escolas públicas do Rio Grande do Sul, Espírito Santo, Ceará, Distrito Federal e Mato Grosso. A Bahia será o próximo estado a adotá-lo. |
Boletim Informativo nº 866, semana de 30 de maio a 5 de junho de 2005 | VOLTAR |