Quem chega à propriedade dos Roecker em Nova Aurora, não imagina o que existe além da casa e dos 18 alqueires onde são cultivados milho, trigo e soja.
No sítio da família, situado na Comunidade Alto Alegre, a dedicação e a criatividade contribuem para que o local seja referência em turismo rural na região.
Basta uma pequena caminhada para o visitante se deparar com três caminhos que levam a manifestações diferentes da Natureza. São as trilhas ecológicas “Caminho das Pedras”, “Salto da Serraria” e “Caminho das Águas”. Durante o passeio, placas instaladas nas trilhas dão recados sobre a importância de preservar o meio ambiente. “Quem tem coração, não joga lixo no chão” é um dos avisos.
“Para a gente, qualidade de vida é tudo. Eu já me intoxiquei três vezes com agrotóxicos. Neste ano, não queremos mais usar agrotóxicos. De jeito nenhum! Quem tem saúde, tem tudo!”, afirma o produtor, Ildo Roecker.
No sítio, ele é responsável pelo orquidário. “Quando fico tempo fora, como na região de Guarapuava, onde presto serviço na colheita de grãos, as orquídeas sentem minha falta. Parecem até que murcham. Quando estou por aqui, começo o dia com um “bom dia” para elas. E as flores gostam disso”, diz.
Os cuidados com os recursos naturais são de toda a família. Para a produtora Márcia Aparecida Depieri Roecker, cuidar da Natureza é melhorar a qualidade de vida da família. “Pensamos sobre o que vamos deixar para nossos filhos”, comenta.
Após ter cursado o “De Olho na Qualidade Rural” duas vezes, oferecido pelo SENAR-PR, Márcia decidiu dar uma maior atenção à água que consomem no sítio, proveniente de uma mina da propriedade vizinha. Segundo ela, os testes mostraram que a água estava bastante contaminada.
“Então, trocamos de nascente e passamos a utilizar uma água que pudesse ser consumida. Hoje, nossa água é muito boa. Só por isso, já valeu ter feito o curso. As crianças viviam doentes e nem sabíamos o que era”, lembra.
Já Ildo faz questão de mostrar o saneamento básico rural instalado na propriedade. “É o que faltava’”, diz. Ele explica que os dejetos humanos vêm para uma das três caixas. Após passar por todas elas, os dejetos saem como adubo orgânico. “Está pronto para ser usado”, afirma.
A fossa séptica biodigestora é um projeto da Cooperativa Coopacol, da qual a família é associada. A propriedade dos Roecker foi escolhida para sediar a tecnologia como forma de divulgação na região. “Escolheram nossa propriedade porque respeitamos o meio ambiente”, conclui.
Qualidade Total - Atualmente, Márcia participa do Qualidade Total (QT). É a oportunidade que tem para enriquecer seus conhecimentos e ter iniciativas que transformam a realidade em que vive. “A gente está aprendendo a se valorizar mais, a dar importância ao que fazemos. Qualidade é tudo! Conversamos mais, trocamos ideias. Quando temos problemas, todos discutem e buscam, juntos, soluções. Ouvimos os outros. Estamos aprendendo a pôr tudo na ponta da caneta: o que se gasta, o que é viável. Enfim, aprendi a priorizar”, diz.
Entre as lições que aprendeu, estão as que destacam a importância da honestidade. “Quando não quero um produto para minha família, não quero para os outros. Temos que ter responsabilidade pelo que estamos produzindo. Procuramos trabalhar em família. Assim, nos sentimos bem onde moramos e temos retorno. Ou seja, agregamos valor ao que produzimos”, afirma.
Profissionalização - Como Márcia, Ildo também cursou o “De Olho na Qualidade Rural”. Ele também conclui o QT. Para a produtora, é importante que o casal faça os mesmos cursos. “Assim, podemos trocar ideias, apoio e compromissos. Temos muita satisfação! As pessoas chegam e veem a diferença. Elas elogiam. Essa é nossa recompensa. Temos o prazer de viver aqui”, diz.
O casal também fez o curso de Turismo Rural do SENAR-PR. “Com os cursos, adquirimos conhecimento. A gente aprende muitas coisas e passa a ver de outra forma. Passamos a valorizar coisas, às quais nem dávamos atenção. Uma área perdida passa a ser usada de outra forma, que não imaginávamos”, explica. Ildo ainda fez os cursos de colheitadeira e de plantadeira.
Em outubro de 2007, Márcia fez o curso de Jardinagem do SENAR-PR. “A gente acaba comprando certas ideias. Podemos melhorar sempre. Principalmente, se estamos com um grupo participativo, que busca cada vez mais”, comenta.
Depois de fazer o Jovem Agricultor Aprendiz (JAA) por duas vezes, o filho dos Roecker, Jonas Rodrigo, fez o Empreendedor Rural. Como estudante de agronomia, ele traz para a propriedade tudo o que aprende. “Nosso filho quer fazer o sítio produzir mais para poder ficar na propriedade. Ele quer continuar vivendo aqui”, acrescenta Márcia. A filha Dhieyne Aline também já fez o JAA.
Desafios - Quanto ao futuro, Márcia espera envolver mais a família nas atividades da propriedade. “Isso porque queremos viver aqui”, diz. Entre os planos, está o investimento em suinocultura. A produtora também quer aprender coisas novas e colocá-las em prática. “Com certeza, vou continuar fazendo cursos”, afirma.
A história dos Roecker deve prosseguir por muito tempo. Prova de que o amor à vida no campo é duradouro, a família montou um museu na propriedade. No local, estão reunidos ferramentas e materiais domésticos usados na zona rural. “Foi o jeito que encontramos para registrar o passado e eternizá-lo para futuras gerações”, conclui Márcia.