Ano XXII | Nº 1040 | 16 a 22 de fevereiro

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Artigo

Maria Silvia Digiovani

Maria Silvia Digiovani - DTE/FAEP


Análise conjuntural

Consumo e exportações não contribuíram

para melhorar preços dos lácteos

O volume de leite captado pelas indústrias em 2008, acumulado até  setembro, último dado divulgado pelo IBGE, foi de 14,35 bilhões de litros. Representa um acréscimo de 11% em relação a igual período anterior. Esse aumento de produção ocorreu em função do estímulo vindo dos preços recordes verificados em 2007.

Porém, o consumo interno, somado às exportações, não absorveu o aumento de produção e os preços dos produtos lácteos entraram numa curva  descendente  a partir do segundo semestre de 2008, baixando o preço da matéria-prima.

Essa situação diminuiu o ritmo de crescimento mensal da produção. Se em maio de 2008 foi registrado índice de crescimento de 17,6% acima de maio de 2007, em setembro foi computado decréscimo de 0,8% em relação a setembro de 2007. Essa redução na oferta, efeito dos prejuízos que os produtores vinham acumulando, evitou que os preços caíssem ainda mais.

Sob os efeitos de preços baixos e pressionados por alto custo de produção, em setembro os produtores tiveram que recorrer ao Governo buscando medidas para sustentação da comercialização. Mesmo enfrentando essa situação, o preço médio do litro de leite em 2008 ficou acima da média verificada nos últimos 6 anos, conforme valores deflacionados do gráfico a seguir, mas abaixo de 2007.

As exportações brasileiras de lácteos de  2008 foram recordes em volume e movimentação financeira, mesmo com a queda mundial dos preços dos produtos.  Mas mesmo crescendo ano após ano, as exportações ainda não chegam a movimentar anualmente nem 1% da produção nacional.

A crise financeira deflagrada nos Estados Unidos em outubro, e que contaminou a economia mundial, já mostra efeitos negativos no setor leiteiro. Em novembro, as exportações brasileiras mostraram acentuada queda.

Nesse cenário, o setor começa 2009 com cautela e administrando a produção. A definição de alguns fatores, como o comportamento da demanda, é essencial para que o setor possa se planejar. É difícil, se não impossível, prever se a  desaceleração do crescimento das economias mundiais será mesmo na intensidade prevista ou se surpreenderá, apresentando índices menos danosos. Disso depende a recuperação da demanda e também dos preços das commodities.

Diante da incerteza, influenciado por secas em algumas regiões e inundações em outras, a oferta brasileira de leite está apertada neste início de ano. Isso mantém os preços em movimento de alta desde novembro, o que não é comum ocorrer nesses meses, mas também não significa uma boa remuneração aos produtores frente aos custos de produção.

Os preços não animam os produtores e estão abaixo dos custos de produção, conforme estudo recentemente divulgado pela CONAB. O custo de produção operacional (desembolso + depreciações) varia de R$ 0,64 / litro, no Rio Grande do Sul  a  R$0,83 em São Paulo.

A média de preço nacional foi R$ 0,5883/litro em novembro, R$ 0,5908 em dezembro e R$ 0,5960 em janeiro 2009, conforme dados do CEPEA.

No Paraná, os números são diferentes: segundo levantamento da SEAB/DERAL. Em novembro e dezembro, os produtores receberam R$0,50 pelo litro de leite e em janeiro R$0,54.

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Boletim Informativo nº 1040
FAEP - Federação da Agricultura do Estado do Paraná