
Aumento dos custos de produção de 30% a 50% da safra anterior (2007/2008) para a atual (2008/2009), retração na oferta de crédito para financiar a atividade agrícola diante da crise financeira mundial.
Estes fatores foram determinantes para a estimativa de queda de 8,4% da renda agrícola para 2009, divulgada segunda-feira (9) pelo Ministério da Agricultura, segundo avaliação do presidente da Comissão Nacional de Cereais, Fibras e Oleaginosas da CNA, José Mário Schreiner. “Com estes dois fatores, o produtor comprou menos insumos e plantou menos. Consequentemente, terá menos renda”, justifica.
Ele afirma também que os problemas climáticos enfrentados pelos produtores de Mato Grosso do Sul e da região Sul do País e menores preços pagos aos agricultores pela produção ajudaram a agravar o quadro. “Os níveis de renda do produtor poderão voltar aos níveis de seis anos atrás, quando estavam críticos. A diferença é que os custos de produção são superiores àquela época”, diz.
Na sua avaliação, faltaram ações mais fortes por parte do governo para minimizar a falta de renda do produtor e a renda dos produtores de 20 culturas, que deverá cair de R$ 163,4 bilhões para R$ 149,6 bilhões, poderá ter declínio ainda mais acentuado diante do cenário de incertezas em relação à safrinha de algumas culturas.
Uma das rendas mais afetadas será a do milho, com projeção de queda de 28,8%, o que representa R$ 7 bilhões a menos em relação a 2008. “A safrinha é extremamente importante para a produção e o produtor ainda não sabe se planta ou não”, diz Schreiner. Outras culturas que também sofrerão queda significativa são a soja e o café. Segundo o Ministério da Agricultura, milho, soja e café respondem por 45,6% do valor da produção agrícola.