A produção mundial de soja foi revista para 224,15 milhões de toneladas. Na avaliação do mês passado, os números indicavam uma produção de 233,20 milhões de toneladas, uma queda de 9,05 milhões

O relatório de fevereiro do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) com a oferta e demanda mundial de soja para a safra 2008/09 traz novos números, já incorporando as perdas decorrentes da estiagem na América do Sul.
Segundo o relatório, a produção mundial de soja foi revista para 224,15 milhões de toneladas. Na avaliação do mês passado, os números indicavam uma produção de 233,20 milhões de toneladas, uma queda de 9,05 milhões.
As maiores alterações ocorrem nas estimativas das produções da Argentina e do Brasil. Isso devido às perdas decorrentes da estiagem que afetou regiões produtoras dos dois países. Os estoques finais ficaram menores. Caíram de 53,94 para 49,87 milhões de toneladas. A relação estoque final/consumo é de 22%.
Em relação ao Brasil, a produção foi revista para 57 milhões de toneladas, ou seja, menos 2 milhões. Em janeiro, o USDA estimava uma safra de 59 milhões de toneladas.
Na Argentina, os números foram reavaliados em função da maior seca dos últimos 50 anos. A produção foi reduzida de 49,50 para 43,80 milhões de toneladas. Uma quebra de 5,70 milhões de toneladas. Apesar da crise mundial, o Departamento prevê preços entre US$ 19,29 a US$ 21,49 por saca de soja.
Num primeiro momento, o mercado aguardava uma reação positiva nos preços futuros na Bolsa de Chicago como reflexo do relatório. As expectativas não se confirmaram. Embora os fatores fundamentais (oferta e demanda) sejam positivos, a situação da economia global exerce um peso maior no mercado financeiro.
Os contratos futuros para o segundo vencimento, maio/09, fecharam na quata-feira (12), dia da divulgação do relatório, cotados em US$ 21,56/saca.
SOJA - OFERTA E DEMANDA MUNDIAL (milhões de toneladas)
| Itens | 2003/04 | 2004/05 | 2005/06 | 2006/07 | 2007/08 (*) | 2008/09 (**) |
| Estoque Inicial | 40,50 | 38,80 | 48,49 | 53,09 | 62,69 | 53,21 |
| Produção | 186,75 | 215,74 | 220,94 | 237,54 | 220,88 | 224,15 |
| Importação | 54,25 | 63,71 | 64,18 | 69,16 | 78,89 | 73,99 |
| Esmagamento | 163,84 | 175,68 | 185,03 | 195,90 | 201,68 | 196,22 |
| Consumo Total | 189,96 | 205,16 | 215,21 | 225,60 | 229,78 | 226,62 |
| Exportação | 55,86 | 64,64 | 63,92 | 71,50 | 79,48 | 74,85 |
| Estoque Final | 38,80 | 48,49 | 53,09 | 62,69 | 53,21 | 49,87 |
| Estoque/Consumo | 20,4 | 23,6 | 24,7 | 27,7 | 21,3 | 22,0 |
A produção mundial de milho deverá ser de 786,47 milhões de toneladas. E não mais de 791,04 milhões, como apontou o relatório de janeiro.
Os cortes foram feitos devido às perdas da Argentina e do Brasil. Quanto aos estoques finais, as estimativas foram revistas para 136,66 milhões de toneladas. No relatório passado, elas indicavam 136,03 milhões de toneladas. Já o estoque final/consumo mundial é de 17,5%.
Na Argentina, o corte foi de 3 milhões de toneladas. A produção passou de 16,50 milhões para 13,50 milhões de toneladas. Consequentemente, as exportações argentinas também foram reajustadas. Elas passaram de 9 milhões para 7 milhões de toneladas. O estoque final previsto é de 360 mil toneladas.
Para o Brasil, o USDA estima uma produção de 49,50 milhões contra 51,50 milhões de toneladas do relatório de janeiro. As exportações brasileiras foram mantidas em 9,50 milhões de toneladas.
Os fatores fundamentais de mercado (oferta e demanda) não deram suporte aos preços futuros na Bolsa de Chicago. Apesar do Departamento de Agricultura dos EUA ter computado as perdas na América do Sul, não foram reajustados os estoques mundiais. O quadro econômico mundial pesou mais. Com isso, os preços para maio/09 foram negociados, no dia de divulgação do relatório, em US$ 8,94/saca.
| Itens | 2003/04 | 2004/05 | 2005/06 | 2006/07 | 2007/08 (*) |
2008/09
(**) |
| Estoque Inicial | 124,93 | 103,42 | 130,68 | 124,67 | 108,81 | 127,66 |
| Produção | 623,04 | 712,78 | 696,37 | 712,28 | 791,42 | 786,47 |
| Importação | 76,55 | 77,10 | 79,47 | 91,01 | 96,68 | 74,99 |
| Uso doméstico | 644,90 | 684,97 | 704,03 | 728,13 | 772,57 | 777,47 |
| Exportação | 77,34 | 78,18 | 80,93 | 93,90 | 96,02 | 75,08 |
| Estoque Final | 102,98 | 130,68 | 124,62 | 108,81 | 127,66 | 136,66 |
| Estoque/Consumo | 15,9 | 19,1 | 17,7 | 14,9 | 16,5 | 17,5 |
A produção mundial de trigo deve ser de 682,78 milhões de toneladas. No relatório de janeiro, estava estimada em 682,66 milhões de toneladas. O consumo mundial foi reavaliado para baixo. Com isso, passou de 653,87 milhões para 652,41 milhões de toneladas. Já os estoques finais passaram de 148,36 milhões de toneladas para 149,96 milhões.
Na Argentina, a produção foi reavaliada de 9,50 milhões para 8,40 milhões de toneladas. As exportações também foram reduzidas. Caíram de 4,30 milhões para 3,50 milhões de toneladas.
Quanto ao Brasil, a produção foi mantida em 5,80 milhões de toneladas. As importações brasileiras do cereal estão estimadas em 10,75 milhões de toneladas.
| Itens |
2008/09
(**) |
2007/08
(*) |
2006/07 | 2005/06 | 2004/05 | 2003/04 |
| Estoque Inicial | 119,59 | 126,98 | 147,46 | 151,41 | 132,68 | 166,11 |
| Produção | 682,78 | 610,99 | 596,10 | 628,96 | 610,12 | 554,19 |
| Importação | 123,00 | 113,20 | 114,02 | 110,38 | 109,87 | 102,25 |
| Cons.Indl/sementes | 529,48 | 523,97 | 510,42 | 512,15 | 503,55 | 491,92 |
| Consumo p/ração | 122,93 | 94,41 | 106,16 | 111,11 | 106,57 | 96,71 |
| Consumo Total | 652,41 | 618,38 | 616,58 | 623,26 | 610,12 | 588,63 |
| Exportação | 123,48 | 113,96 | 111,58 | 115,48 | 111,21 | 109,38 |
| Estoque Final | 149,96 | 119,59 | 126,98 | 147,36 | 151,41 | 132,68 |
| Estoque/Consumo | 22,9 | 18,5 | 20,5 | 23,6 | 24,8 | 22,5 |